Sunday, November 19, 2017

Lista de assuntos aleatórios, feita em 15/09/2015

De vez em quando me bate uma saudade de algumas pessoas que tenho certeza que não devem nem lembrar da minha existência.
Ainda vale...

Eu carrego toneladas e toneladas de culpas diversas. Sei nem como consigo andar por aí.
Pouts, como isso é atual!

Houve um tempo que eu era movida a fazer listas. Listava tudo. Não sei como nem quando nem porque deixei de fazer listas. Mas hoje em dia a única lista que faço é a de mercado. E olhe lá! Na maioria das vezes, improviso. E sempre esqueço um monte de coisa. ¬¬
Fato. Mas, ei, isso é uma lista!

Quando foi que deixei de ser eu? Por que me lembro de quem era, mas não sei quem sou?
Essa já não está tão atual. Já não lembro quem eu era. ¯\_(ツ)_/¯

Você é uma esquisita caixinha de surpresas...
Não faço a menor ideia a quem me referia.

Friday, August 04, 2017

The Meaning of Life



Gumball: Why isn’t anyone able to answer our question? Tell me universe! WHAT IS THE MEANING OF LIFE!?

Jupiter(?): You guys, quick! I think someone’s in need of a cosmic answer!
Uranus(?): Let's explain the meaning of his pitiful existence to him in a form of a feel good song.

One
Two
Three

When you think you’ve got a problem
and your life is full of doubt
Remember: in the scheme of things
your life just doesn’t count

To you a leaf might seem quite small
But to an ant, it’s ten feet tall
It’s hard to be objective
so we’ll offer some perspective

You think there’s nothing greater than the planet you call Earth
But Earth can seem quite skinny next to Neptune’s mighty girth

("Oy!" "Relaaax!")

‘Cause when you think you’ve got a problem
if you’re thinner or you’re fatter
Remember: in the scheme of things
your life just doesn’t matter

Now the Sun can make us all feel small
Cause he’s the biggest of us all
But that’s just in the Solar System
Bigger things than that exist

The Milky Way
The galaxy
And don’t forget the universe
That’s just the ones we know about
They’re huge compared to you or us

You’re tiny and you’re minuscule
Irrelevant, a speck
Upon the dark side of that rock
you’re just a measly little fleck
Your life may last a century
On Earth, or maybe quicker
But up here, a hundred years is just a flash, a blip, a flicker

So when you
Think you’ve got a problem
when your life is full of doubt
Remember: in the scheme of things
Your puny, little, tiny, weeny, meager, futile, worthless, teeny, boring, foolish, pointless, minimal, wretched, gloomy, bleak, and pitiful
Life just does not count!

Darwin: Huh, what’s that all about?

Gumball: Don’t know, but the joke's on them. By the time they finish their smug little song, the sun will have collapsed on its own mass and exploded, so… ppppppppppttttt.

4.75 billion years later.

Oh, life just does not count.

Sun: Hey, you know that kid 4.75 billion years ago?
Planets: Ya.
Sun: Well he was right.

Tuesday, August 01, 2017


If I could begin to be
Half of what you think of me
I could do about anything
I could even learn how to love

Fracasso

Acordo na hora em que deveria sair de casa.

Saio de casa na hora em que deveria estar chegando ao trabalho.
Gasto com táxi o dinheiro que deveria gastar com almoço e janta.
Fico sem comer.
Passo o dia em ondas de letargia e irritação.
Caminho até o ponto de ônibus como uma bola de boliche furiosa, querendo derrubar todos no caminho.
No ônibus, me isolo em uma bolha ficcional qualquer, submergindo em algum livro.
Chegando em casa, me afundo no sofá e me isolo em uma bolha ficcional qualquer, assistindo séries em série.
Não faço exercícios (físicos ou mentais).
Não produzo nada.
Vou dormir muito mais tarde do que deveria.
Acordo na hora em que deveria sair de casa...

(repeat)

Thursday, July 27, 2017

"Mas e aí? Como você explica isso?"

Respirou fundo e procurou ponderar a respeito, porém sua mente não conseguia focar em uma resposta que fizesse sentido. Os pensamentos disparavam de um lado para outro, aleatórios, desconexos e concomitantes.

Encarou sua amiga e abriu a boca para falar, mas... só saíram pedras. As palavras vinham em fluxos de pedrinhas e, tal qual um caminhão basculante, sua boca derramava brita, cascalho, e pedregulhos a cada tentativa de se expressar.

Do outro lado da mesa, a moça piscou lentamente, incrédula. "É impressionante! Nunca dá para entender o que você fala." Riu com uma pitada de deboche. "O que custa responder objetivamente? E além de tudo é grossa."

Tentou argumentar. As pequenas pedras rasgavam sua garganta, rolavam pelo seu colo e se espalhavam pelo chão, se acumulando ao seu redor e pouco a pouco a soterrando.

"É... assim não tem diálogo." A moça se levantou e pegou a bolsa, visivelmente irritada. "Eu preciso ir, depois a gente se fala." Finalizou e saiu, com passos largos e rápidos.

Tossiu um pouco de areia e suspirou, resignada. Mais uma vez estava imobilizada com o peso de tudo que não conseguiu falar.

Friday, July 21, 2017

Promises, promises...

Tantas e tantas promessas não cumpridas...

Dos outros para mim, de mim para os outros, de mim para mim mesma...

A gente tem que parar de se enganar.




Mas o que seria de um aniversário sem bolo, né?
Tô com fome. Vou almoçar. ¬¬

talvez o recado nunca atinja o destinatário...

Thursday, July 13, 2017

\m/


Wednesday, April 19, 2017

O tempo é implacável

"Depois a gente conversa..."

"Depois eu conto..."

"Depois eu te mostro..."

"Depois eu falo..."

"Depois eu escrevo..."

"Depois eu faço..."


Passou.

Sunday, April 16, 2017

Efeito borboleta

Estava abalada por fatos da vida e com um pouco de tempo sobrando, então resolveu passar no mercadinho da rua antes de subir para o escritório, para tentar fazer seu dia um pouco mais suportável.

Passeou com calma por todos os corredores e foi pegando itens que fossem do seu agrado: peras, iogurte, aveia, leite, chás (um vício), cápsulas de café (outro vício), bolachinha integral, cenourinhas... quando deu-se por satisfeita, dirigiu-se ao caixa, terrivelmente arrependida por não ter pegado uma cestinha para carregar as compras com mais conforto.

Era do seu feitio pegar mais coisas do que achava que iria pegar.

Com exceção das peras, que vêm num saquinho com alça, o resto era embalado em caixas. Aí fica fácil. O pacote de bolacha é cilíndrico, as cenourinhas vêm numa embalagem pequenina. Com tudo encaixadinho, é tranquilo segurar tudo nas mãos.

Foi colocando os itens no caixa e ao ver que a atendente estava com uma cara de segunda-feira, solidarizou-se e deu um sorrisão acompanhado de um alegre bom dia, para tentar amenizar um pouco. A atendente nem respondeu.

"CPF na nota?"
"Sim, por favor."
"Pode digitar."

Ela não tinha terminado de se desvencilhar das coisas, apressou-se, digitou o CPF e voltou a colocar os itens no caixa.

"Pode confirmar?"
"Ah, claro!"

Que erro, não? Esquecer de apertar o confirma. Confirmou e a atendente foi passando os itens.

"Vai precisar de sacola?"
"Vou, sim."
"Uma ou duas?"
"Ahn... deixa eu tentar uma, se não couber, pego outra."
A atendente revira os olhos impaciente, enquanto a espera brincar de Tetris na sacolinha.
"ACHO QUE VAI DAAAAR, HEEEIM???" e dá risada.

Finalmente consegue arrancar um sorriso da atendente. Contente com seu sucesso, ela paga, pega a sacola e as peras convenientemente embaladas e coloca-se a caminho da saída da loja. Ao passar pela porta, ela vê um vultinho preto de canto de olho. Volta.

Um pug.

Enorme! (para um pug, claro)

Ele a olha com uma cara tão simpática, que ela não resiste e fez algo que normalmente não faria: foi agradar o cão, que estava com a guia amarrada em um daqueles totens que ficam com panfletos promocionais em frente à loja.

O pug ficou TÃO extasiado que havia conseguido chamar a atenção de alguém que ia lhe dar carinho, que antes que ela chegasse até ele, ele foi ao encontro dela, todo felizão. Só que o tal do totem era uma estante fina, alta e... totalmente solta! E o tal do pug, grande, gordo, pesado e... totalmente empolgado!

Então ele correu e levou consigo o totem. Só que a guia estava amarrada na metade superior do negócio, o que fez com que o totem não fosse arrastado, mas sim tombado! Na direção dela. E, consequentemente, na direção do pobre cão, que ia ser esmagado.

Ela viu tudo acontecendo em câmera lenta, deu um salto pra frente e conseguiu - completamente desajeitada, com as sacolas na mão - segurar o bendito totem a centímetros de atingir o cão. Só que nisso, o treco bateu no carrinho que segura as cestas (aquelas, que ela nunca pega) e ele foi descendo em direção à rua...

E lá ela ficou, segurando o totem com uma mão, as sacolas com a outra, tentando segurar o bicho com o joelho esquerdo, tentando levantar o totem pra sair correndo atrás das cestas que estavam indo pro meio da rua, aquele monte de flyer espalhado pelo chão... que cena!

O carrinho das cestas, por sorte, era de um plástico levezinho, então ele não pegou muito embalo. Apenas desceu lentamente a calçada até a sarjeta e tombou de lado, sem grandes danos.

A atendente, que estava passando as compras de outra pessoa, ficou boquiaberta durante toda a série de eventos, assistindo sem saber o que fazer. O dono do cachorro, que tinha acabado de entrar e estava escolhendo frutas imediatamente ao lado de toda essa bagunça, só foi prestar atenção no que acontecia depois que a aflita moça já tinha dado um jeito de se reequilibrar e colocar o totem no lugar.

"FEI-JÃO! O que você está aprontando??" O dono do cão se agachou para começar a recolher os flyers. A moça também o fez, para ajudar, e não conseguiu conter o riso. "Feijão! Que nome maravilhoso!"

Assim que se agacha, o pug corre pra cima dela, balançando o corpo inteiro, porque só o rabo não dava conta de toda a empolgação.

O homem ri também. "É. E é um bagunceiro."

"Ele é lindo!" Claro que aí esqueceu-se de tudo e brincou um pouco com ele. Que cãozinho mais sensacional, feliz, brincalhão e com pelo brilhoso, macio e cheiroso.

Mas em seguida se recompôs e ajudou a recolher a papelada.

A atendente do caixa havia terminado de atender o cliente e saiu do seu posto para ir até a sarjeta recolher as pobres cestinhas. Ao voltar para a entrada, ela se dirige ao dono do Feijão. "Acho que seria melhor você amarrar ele aqui, ó!" e apontou para uma barra de ferro que saía da parede.

Ao ouvir a sugestão, a moça se prontificou. "Pode deixar que eu faço isso. Afinal, ele já pulou no meu colo, mesmo."

O moço abriu um sorriso. "Parece que ele gostou de você."

Foi só nesse momento que eles finalmente se olharam. Um instante que durou uma eternidade. Ela perdeu-se no sorriso dele, ele se pendurou nos longos cílios dela, ela quase se afogou nos olhos verdes dele, ele quis morar nos lábios dela, ambos escorregaram em suas peles e se emaranharam nos cabelos um do outro... o Feijão deu uma lambida no rosto dela.

"Ah... é! Parece que sim." Ela riu e secou a bochecha, torcendo para que ele não tivesse notado seu devaneio. "Eu... gostei muito dele também!" Disse enquanto se levantava. Ele se levantou também, desamarrou a guia do totem e a entregou para a moça.

"Obrigado."

Ela franziu a testa. "Pelo quê? Olha a bagunça que eu fiz!" Verificou se o novo nó estava seguro na barra de ferro e colocou o Feijão no chão com delicadeza, afagando atrás de sua orelha.

"Por isso." Ele apontou para a guia amarrada na barra. "E por ser gentil com o meu cachorro."

"Que é isso... imagina... ele é uma doçura." Ela apanhou suas sacolas e fez menção de ir embora.

"Seria uma pena ele não ver mais sua nova amiga." Sorriu esperançoso, e no mesmo instante ela quase foi ao chão com aquele sorriso e com o sentido oculto naquela frase.

"Seria..." Percebeu que sua boca estava aberta, mas não se mexia. "Ahn... é claro! Anota aí meu telefone para quando ele quiser me ver novamente..."

---

"Eita. Que bicho te mordeu, que esse sorriso besta não sai mais da sua cara??"

"Nada, não, Janine... Mercadinho bacana, esse que tem ali na esquina, né?"

Sunday, April 09, 2017

São elogios, né? =)

Sábado, 08 de abril de 2017 - 22h20 - Avenida Brigadeiro Faria Lima, São Paulo - SP

Eu: *passo caminhando*
Homem aleatório na calçada, com voz 'seduzente': "Toda poderooosaammm..."
Eu, cansada, nem me dou o trabalho de olhar para trás e apenas levanto o dedo do meio, candidamente.
Homem aleatório, falando super alto: "ENFIA NO SEU CU!"
Eu: "ADORO!"


Sábado, 08 de abril de 2017 - 22h30 - Avenida Brigadeiro Faria Lima, São Paulo - SP 

Eu: *sentada no ponto de ônibus, viajando em pensamentos aleatórios, olhando para o nada*
Homem aleatório num carro cheio de homens passa gritando a plenos pulmões: "AÊ, SUA GOSTOSA!!! Ô, GOSTOSA! GOSTOOOOOSAAAAaaaaaaaa!!!" (efeito doppler)
Eu, completamente assustada de ser puxada para a realidade daquela forma, não tive tempo de reagir.



Mas feminismo é bobeira e feministas são exageradas, histéricas e vitimistas.

Friday, February 17, 2017


Monday, November 07, 2016

Essa é nova...

"Vai dar tempo, vai dar tempo, vai dar tempo." O semáforo fechou. Não deu tempo. Meu olhar se perdeu na paisagem urbana e mergulhei em meus pensamentos, enquanto aguardava o semáforo abrir.

Havia acabado de sair da consulta com meu psicólogo. A consulta foi meio atravancada. Ele disse - e não era novidade alguma - que estou muito fechada. Oras... eu sei. Mas, por quê? Estava tentando formar uma cadeia de pensamento, e as pessoas começavam a se aglomerar ansiando para atravessar a rua.

"Dfnt e êlo..."

O pedaço de frase ininteligível chamou parcialmente a minha atenção. Provavelmente apenas alguém que estava conversando muito próximo ao meu ouvido esquerdo. Olhei de soslaio. Ao meu lado, uma moça baixinha de óculos tinha seus olhos cravados em mim.

"Diferente seu cabelo... a cor", disse timidamente a moça de óculos, fazendo menção de passar a mão nos meus cabelos. Sorri e me afastei um pouco, meio sem graça, e concordei, "É".

Ela sorriu. "A senhora é drag queen?"

Eu demorei uns três segundos até assimilar a pergunta e ter certeza de que a havia entendido corretamente. Levantei uma sobrancelha, "Ahn... Não."

"Ah, tá. Desculpa." O semáforo abriu e a moça de óculos saiu caminhando apressadamente, de cabeça baixa e toda envergonhada. Atravessei a rua dando risada da situação inusitada.

E ela ainda teve o cuidado de me chamar de senhora!

Wednesday, November 02, 2016

A incrível arte de deixar pra lá...

Novas histórias borbulham dentro de mim o tempo todo.

Só hoje, devo ter iniciado umas cinco histórias diferentes, com potencial de se tornarem interessantes.

O começo aparece bem claro, delineio o desenrolar... e não concluo. A história some, sem nunca tomar forma.

Estou falando sobre escrever, mas poderia estar falando da minha vida.

Tuesday, September 13, 2016

Repeat.

As piores horas são as primeiras.

Daquele instante em que você acorda, recobra a consciência - aos poucos ou subitamente - e percebe que ainda está viva, até você terminar de fazer todo o processo necessário para preparar sua carcaça para enfrentar mais um dia.

As piores horas são as seguintes.

Daquele instante em que você se dá conta de que não tem como cancelar o dia e terá mesmo que sair de casa, andar na rua, interagir com pessoas e enfrentar a hostilidade alheia - um espelho - até você começar suas atividades mundanas e inúteis.

As piores horas são as próximas.

Daquele instante em que você se abriga da rua num lugar para onde você não queria ir, fazendo coisas que não queria fazer, convivendo com pessoas com as quais você não queria conviver, tendo conversas que você não queria ter, até o momento em que o relógio liberta você de volta para a loucura das ruas.

As piores horas são as últimas.

Daquele momento em que você coloca os pés em casa e solta um suspiro profundo ao perceber que nada se resolve sozinho, até o momento em que você se deita e fica remoendo as memórias de mais um dia vazio até adormecer, desejando não acordar mais.

Repeat.

Tuesday, August 30, 2016

Obscura mentira

"Tudo bem, trago o chocolate quente depois, então."

Quando o garçom retirou sua xícara, o agradecimento saiu baixo e abafado. Não está "tudo bem", caro garçom. Longe disso. Estava nervosa como há tempos não estivera. Suas mãos geladas e úmidas faziam movimentos tensos e contidos, constantemente amassando e desamassando um pobre guardanapo. Um origami de ansiedade.

Olhava incessantemente para a porta. A cada pessoa que surgia ela prendia a respiração, seu coração dava um salto e o guardanapo em suas mãos sofria as consequências. Esse processo se repetiu algumas vezes, até o momento em que ele finalmente apareceu.

Sentiu suas pernas amolecerem e o tempo pareceu congelar. Observou com carinho cada detalhe do seu rosto, e o esforço que ele fazia para tentar disfarçar sua cara de perdido a fez sorrir com ternura. Como era bonito.

Voltou a si e, dentro de todo seu nervosismo, decidiu resgatar o rapaz com um breve aceno, que foi respondido com um tímido sorriso. Tão lindo... tão lindo... Ele veio em sua direção e ela focou novamente em seu propósito. Desajeitado como sempre, sentou-se à sua frente e abriu um sorriso franco que quase a fez se derreter.

Recompôs-se rapidamente. "Desculpe, mas eu já estou indo", disse antes mesmo que ele pudesse cumprimentá-la, pois sabia que não resistiria à voz dele. "Logo deve chegar um chocolate quente que já deixei pago para você, porque sei que você gosta", ficou contente consigo por usar esse conhecimento para dar um toque de cuidado à situação desagradável. "E sei que você vai precisar", completou, se recuperando do devaneio e falando apressadamente.

Era chegada a hora de cortar os laços de uma vez por todas, contra toda a sua vontade. Ela inspirou profundamente. "O que tivemos foi maravilhoso e sempre terei muito carinho por você, mas…" Num átimo reviu todos os momentos vividos juntos. Como amava aquele homem. Como era feliz com ele por perto. Fraquejou. Forçou-se a lembrar o que a colocara naquela situação. Engoliu a seco e continuou.

"Não podemos continuar… me apaixonei por outra pessoa. Desculpe”.

Sentiu cada palavra pingando de sua boca com o peso da mentira. O peso também estava em seus olhos, que não conseguiam se erguer para encarar o enorme par de olhos intrigados, que a encaravam com estranheza. O peito também pesava, deixando sua respiração curta e difícil. O coração disparado não a ajudava a respirar, mas a impulsionou a levantar-se de súbito e ir embora, sem dar qualquer chance de ele se manifestar.

Ao alcançar a rua, sinalizou para o primeiro táxi que avistou e ao terminar de informar seu destino ao motorista seu rosto já estava encharcado pelas lágrimas que ela não conseguia mais segurar.

Wednesday, August 17, 2016

Clara verdade

A claridade incomodava seus olhos, que lacrimejavam enquanto piscava sem parar.

Atravessou a rua com passos rápidos e ansiosos e entrou no pequeno café. O ambiente estava escuro e demorou para que seus olhos se acostumassem. Enquanto se adaptava à súbita mudança de iluminação, ficou imaginando o que as pessoas pensariam ao vê-lo parado na porta, com cara de perdido.

Se preocupar com a imagem passada para os outros era uma constante que consumia grande parte do seu tempo e pensamento. Roupas, cabelo, postura, tudo era meticulosamente calculado para agradar a quem ele sequer conhecia. Intimamente sabe que é batalha perdida, mas o hábito já havia se tornado parte de si.

As paredes tinham cor de sorvete de creme com detalhes em madeira escura que pareciam pedaços de chocolate, o que o fez inconscientemente sentir vontade de comer algum doce. Para se acomodar, havia opções de mesinhas redondas com cadeiras estofadas ou pequenos sofás em couro macio. O lugar era aconchegante, porém ele se sentia deslocado e desconfortável.

Passou os olhos pelo ambiente. Sempre tivera dificuldade em reconhecer rostos, por mais familiares que fossem, e por isso tinha receio de passar vergonha. Especialmente naquele momento. De soslaio, captou um breve aceno ao qual respondeu com um tímido sorriso. Ainda teve que conferir algumas vezes no arquivo mental se era a pessoa certa, antes de se encaminhar rapidamente à mesa no canto.

Fez o possível para parecer cômodo na cadeira e sorriu, dessa vez sem timidez. "Desculpe, mas eu já estou indo", disse a dona do aceno, a pessoa certa, antes que ele sequer pudesse cumprimenta-la. "Logo deve chegar um chocolate quente que já deixei pago para você, porque sei que você gosta. E sei que você vai precisar", continuou, falando apressadamente.

Ele franziu o cenho, estranhando sua pressa e modo de falar. Ela inspirou profundamente. “O que tivemos foi maravilhoso e sempre terei muito carinho por você, mas... não podemos continuar... me apaixonei por outra pessoa. Desculpe”. Levantou-se e saiu de supetão. Sem ao menos dar a chance de um adeus.

A verdade incomodava seus olhos, que lacrimejavam enquanto piscava sem parar.

Friday, August 05, 2016

Singular*


Entrei em colapso, atingi a singularidade e agora estou além do horizonte de eventos, presa em uma bolha de distorção temporal onde cada minuto demora uma eternidade para se arrastar e ao final de cada dia sinto-me atropelada por uma semana inteira.

Ao mesmo tempo, fora da bolha, em um piscar de olhos meses se passam sem que eu perceba e tudo parece estar ruindo a uma velocidade estonteante, que não consigo acompanhar. 

Mas é a apenas minha percepção temporal, pois esse nada mais é que o ritmo natural da ruína... digo, da vida.


*singular
adjetivo de dois gêneros ( sXIV)
1. único de sua espécie; distinto; ímpar
2. não vulgar; especial, raro
3. fora do comum; admirável, notável, excepcional
4. não usual; inusitado, estranho, diferente
5. que vale por si só; significativo, característico
6. que causa surpresa; surpreendente, espantoso; extravagante, bizarro
7. lóg que se aplica a um sujeito único
adjetivo de dois gêneros e substantivo masculino
8. gram do ponto de vista semântico, diz-se de ou o número que indica uma só pessoa ou coisa

Monday, May 30, 2016

Eu disse NÃO.

Eu estava no auge dos meus 18 anos. Mas não eram 18 anos comuns, eram os meus 18 anos.

Tive uma adolescência tardia e sempre vivi no mundo dos sonhos. Então aos 18 eu ainda tinha uma certa magia no olhar que me permitia fantasiar sobre pessoas e situações e manter uma dose estúpida de otimismo. Além disso, eu ainda era incrivelmente inocente e acreditava nas pessoas sem questionar.

O auge dos meus 18 anos consistia, portanto, em estar ganhando meus trocados no meu primeiro emprego, ter recém terminado meu primeiro namoro e não estar estudando. Isso me dava uma leve ilusão de liberdade e eu ainda não havia aprendido a lidar muito bem com tudo aquilo.

Foi nesse contexto que conheci o Sombra, em uma feira em que a empresa na qual eu trabalhava participou. Eu estava passeando pelo centro de eventos, distribuindo panfletos e convidando os visitantes a conhecer o nosso stand, quando me deparei com dois rapazes fazendo uma performance teatro-cômico-acrobática.

Estava engraçadinho, então fiquei assistindo de longe. Notei que, por baixo da maquiagem, um dos rapazes era feio de dar dó (e proporcionalmente engraçado), mas o outro era uma graça, super charmoso e - além de tudo - fazia mágica. Quando, em toda a minha inocência, notei que estava tendo meus olhares correspondidos, voltei a ter 15 anos de idade e fiquei tremendamente empolgada.

Passei mais algumas vezes por onde eles estavam se apresentando, descobri que os dois rapazes eram irmãos, conversamos um pouco sobre aleatoriedades a respeito da feira, e no final do último dia de feira (foram quatro) ele anotou meu telefone e se despediu de mim com um singelo selinho.

Em seguida à feira, teve um feriado e viajei para Ilhabela com meu irmão e uns amigos nossos. Qual não foi a minha surpresa quando no dia seguinte meu celular toca. Era o Sombra. Eu jamais imaginaria que aquele artista cheio de mistério e charme se interessaria o suficiente por aquela menina boba e desajeitada. Mas pareceu que sim e eu, claro, fiquei encantada e já comecei a fantasiar como toda adolescente idiota.

Ilhabela imediatamente perdeu a graça e eu ansiava pela volta, para poder encontrar o meu príncipe misterioso. Na época ainda se usava muito telefone para de fato falar, então conversamos bastante antes de nos encontrar e ele concordou em me acompanhar ao aniversário de uma amiga. Eu achava graça em tudo que ele falava e ele parecia ser a pessoa mais interessante do mundo.

A noite foi bem bacana e ele se mostrou muito cortês todo o tempo. Fiquei com vontade de vê-lo novamente e parecia que era recíproco, embora hoje eu perceba que boa parte dessa reciprocidade era apenas minha esperança preenchendo lacunas e achando justificativas para as evasivas dele.

De qualquer forma, depois de quase duas semanas ele finalmente concordou em me receber no bairro dele, que ficava a cerca de 50km da minha casa. Ele sequer se dignou a me encontrar no meio do caminho, mas eu nem me importava com isso: estava indo ver o homem que eu achava que gostava de mim e, afinal, o que era a distância para dois corações apaixonados??

Peguei um ônibus até a estação de trem, o trem até o metrô, o metrô até o ponto mais perto dele e outro ônibus até chegar lá (sem Maps, heim!!). Todo o peso da distância sumiu no instante em que o vi me aguardando no ponto de ônibus, cabelos ao vento e todo de preto, para adicionar à aura de mistério que eu havia criado em torno dele.

Fomos à casa dele (aproveitei para falar oi para o irmão feioso gente boa), ele me apresentou alguns pontos do bairro... Honestamente não lembro muito bem da ordem dos acontecimentos, mas em algum momento ele informou que tinha que buscar alguma coisa na casa de um amigo dele.

Sempre fui muito literal, e na época eu não tinha malícia, então se o rapaz me diz que precisa buscar algo na casa do amigo dele e ainda comenta que vai ser rápido, na minha cabeça nós vamos passar na casa do amigo dele, pegar o que quer que seja e seguir com o nosso encontro.

Ao chegarmos lá, entramos, mas o amigo dele não estava. Hoje eu sei que o amigo havia cedido o espaço para o Sombra poder ficar à sós comigo, mas na minha inocência da época, pensei que era apenas um ato legal de confiança entre amigos (o que não deixa de ser verdade).

Ele fez que mexeu em alguma pilha de uma bagunça qualquer, depois mexeu em outro canto e então sentou na cama e me chamou para perto dele. Fiquei em pé em frente a ele e começamos a nos beijar. Pouco depois me sentei ao lado dele e em seguida já estávamos deitados.

Até aí, terreno conhecido, tudo bem. Ele começou a passar a mão na minha barriga, subir para os meus seios e comecei a ficar um pouco desconfortável. Eu só havia chegado a esse ponto com meu ex-namorado e só tínhamos chegado até lá por termos construído uma intimidade cercada por carinho e amor, sempre na segurança do quarto dele. Em contrapartida, essa era apenas a terceira vez que eu via o Sombra, eu estava na casa de um completo estranho, em um quarto todo zoneado... já não estava me sentindo tão bem naquela situação.

Foi então que ele desabotoou minha calça.

Eu segurei a mão dele e disse não. Ele disse que tinha camisinha. Eu informei que era virgem e que não queria fazer nada naquele momento. A mão dele não se moveu e ele disse que iria "por só a cabecinha". Eu continuei dizendo que não queria. Ele foi para o zíper, dizendo "quero só te sentir". Nessa hora, o desconforto já havia se transformado em um leve pânico. 

Eu disse, mais uma vez, que não e a tragicomicidade da afirmação seguinte dele é sensacional: "Ah, vai... eu não vou fazer nada que você não queira." Meu rapaz... estou há um tempão dizendo que não quero e você continua fazendo!

Até então estava tendo um jogo de forças entre eu segurar a mão dele e tentar afastá-lo e ele se forçar para cima de mim e tentar me despir, mas era pouca coisa acima do sutil. Eu ainda tinha esperança de que nos entenderíamos conversando. Enfim, eu disse não de novo, mas ele passou da sutileza para a agressividade e conseguiu abaixar as minhas calças.

Brotou um medo real. Eu estava com um cara prestes a me violentar, em um lugar totalmente desconhecido para mim, anoitecia e eu não tinha a menor noção de como voltar para casa... até hoje não sei como, mas na mesma fração de segundo em que tudo isso passou pela minha cabeça, eu consegui me desvencilhar dele, sair da cama e levantar as calças, tudo em um movimento só.

"Eu NÃO quero!"

Ele cobriu o rosto com o braço, bufou, ficou alguns angustiantes segundos em silêncio, até que disse: "Tá. Vam'bora." A partir desse momento, ele ficou super frio comigo e seguimos em silêncio até um ponto de ônibus, onde ele apenas informou o nome do ônibus que eu tinha que pegar e foi embora, quase sem se despedir.

As emoções que se aglomeraram comigo ali naquele ponto estranho à noite são quase indescritíveis, e é com muito pesar que afirmo que quase nenhuma delas colocava o Sombra em foco. Eu estava errada por ser oferecida e ter ido até lá. Eu estava errada por ter ficado sozinha com ele. Eu estava errada por ter usado um jeans um pouco mais justo. Pela reação dele, cheguei até a me sentir culpada por não ter cedido e, com isso, ter ferido os sentimentos dele.

Esse episódio me assombra até hoje. Da culpa eu já me livrei. Foi recente, mas finalmente entendi que absolutamente tudo que pensei estava errado. Poderíamos ter ficado ambos nus e ainda assim não tem essa de ficar amenizando pro lado dele e trazendo a culpa para mim: ELE é quem deveria ter respeitado o meu primeiro não. E ponto. Mas ainda hoje os estágios iniciais de envolvimento com alguém são um bocado tensos para mim, por mais que eu já tenha aprendido a contornar esse trauma.

Queria muito dizer que foi o único caso que aconteceu comigo. Ou o mais leve. Infelizmente, eu estaria mentindo. Certamente foi o mais tenso, por toda a atmosfera do desconhecido, mas não foi o primeiro, não foi o último e... não foi o mais traumático. Escolhi esse caso para narrar, pois foi o único em que eu realmente temi pela minha vida.

Tenho certeza que toda mulher do mundo tem pelo menos um caso de abuso para contar. Com quase a mesma certeza afirmo que elas se sentiram culpadas pelo ocorrido ou tiveram a culpa depositada nelas. E isso é absolutamente repugnante e revoltante.

NADA justifica atropelar o não de alguém e invadir seu corpo. NADA.

E a culpa NUNCA é da vítima.

Saturday, January 02, 2016

Escrito em 20/09/2005

(E ainda tão atual... infelizmente. Feliz ano "novo".)


Às vezes eu sofro não sei direito do quê. É algo que me abate de tempos em tempos, me derruba, me deprime, me coloca para pensar na vida, mas eu nunca sei no que pensar e acabo tocando os dias para frente, tudo como sempre.

É uma vontade imensa de fazer e acontecer e ao mesmo tempo uma enorme apatia e indiferença por tudo ao meu redor.

É uma vontade de sair distribuindo carinho, de fazer com que as pessoas sorriam e ao mesmo tempo eu quero ficar reclusa no meu quarto, isolada do mundo.

É uma vontade de me esforçar, trabalhar muito para ganhar bastante dinheiro para fazer isso ou aquilo, e ao mesmo tempo eu quero jogar tudo para o alto e ir para algum lugar onde seja necessário o mínimo para viver, mas onde eu consiga VIVER.

E nesse momento eu empaquei na minha escrita. Será que esse é o problema? Será que eu sinto falta de viver a minha vida?

Meus pensamentos oscilam entre a vontade de mudar o mundo e a apatia completa, mas minhas atitudes ficam num meio termo.

Será que sofro porque levo uma vida mais ou menos? Mas eu sofro de quê? Mas eu sofro por quê?

Sem resposta, eu permaneço sofrendo, indo do tudo ao nada em pensamento e vivendo em cima do muro. Sem saber o que fazer, como agir ou que rumo seguir.

Amanhã passa...

Talvez eu tenha medo de arregaçar as mangas e fazer algo de verdade por mim, pelos outros..

Wednesday, December 23, 2015

Tente se lembrar

É estranho esse negócio de memória... Mais estranho ainda é confiar nela. Ela apaga e inventa coisas a seu bel prazer.

Por mais que você se vanglorie por ter uma memória fantástica e se lembre de alguns detalhes que ninguém mais se recorda sobre as coisas, pode ter certeza de que existem pedaços inteiros da sua vida que você esqueceu.

Trechos de conversas, passeios, sensações, interações... Você viveu, fez e falou coisas que nem se lembra. E tem outras coisas que você acha que aconteceu, mas que não foram exatamente assim que aconteceram. E não precisa nem buscar exemplos na infância! Momentos do ano que passou já se foram, perceba.

Isso provavelmente leva a uma alteração da sua percepção de si, porque faltam informações para compor quem você de fato é.

Por outro lado, aquilo que você esqueceu pode ser parte proeminente da memória de outra pessoa.

E isso é assustador!

Saturday, November 28, 2015

Sorria, meu bem!

De repente, senti falta dos meus sorrisos. Quando dei por mim, não estavam mais lá. Nenhum deles.


Procurei em filmes, livros, passeios... Nem sinal deles.



Procurei em momentos, memórias, pessoas... Sequer um esboço deles.



Ainda falta procurar em um lugar que encontra-se quase inacessível, com uma porta grande e pesada que está trancada e não faço ideia de como abrir...



Falta procurar...



Em mim.

Saturday, October 10, 2015

Fica pra próxima...

"...e aqui temos a varanda."

Encantada, ela observa a vista. Tudo naquele apartamento é perfeito. Bem localizado, arejado, bem iluminado, cômodos bem distribuídos, o preço... Ela até já se visualizava construindo sua vida ali, envelhecendo feliz.

Vira-se sorridente para o corretor de imóveis: "É maravilhoso! Vou comprar!"

O corretor baixa os olhos, coça a barba e depois de alguns momentos em silêncio, dá a notícia: o imóvel já havia sido vendido.

Ela fica atônita encarando o rapaz à sua frente. "Mas... Por que você me trouxe até aqui e fez toda essa propaganda, então?"

Ele dá de ombros, "Achei que você fosse gostar... É bom saber que o lugar dos seus sonhos existe, não é?"

Incrédula, ela passa a mão nos cabelos e expira longamente. "É... Acho que sim... Não sei... Bom, me avise se desistirem da compra. Ou quem sabe resolvem alugar, sei lá..."

"Sim, claro. Tenho todos os seus contatos. Vamos nos falando."

Thursday, October 01, 2015

Dosagem

Há uns anos trabalhei em uma empresa que tinha chocolate quente à vontade. Daqueles de máquina: coloca o copinho, aperta o botão e - voilà! - chocolate quente sempre à mão. Cremosinho, delicioso. Era mágico!

Obviamente, não demorou muito para eu ficar viciada. Tomava um atrás do outro, todos os dias. Às vezes fazia variações, misturando com cappuccino ou colocando uma dose de leite puro, mas invariavelmente voltava à fórmula original: duas doses de chocolate quente. Copo cheio.

Comecei a montar meus dias em torno do chocolate quente: os horários, as refeições, as leituras, as idas ao banheiro... virou parte imprescindível e insubstituível do meu dia. Não importava se estava frio ou calor.

Na faculdade e em casa sentia muita falta. Nada conseguia chegar à altura daquele líquido precioso. A caminho do trabalho, ansiava por chegar e tomar meu primeiro copo. Na saída, o gole de despedida sempre deixava saudade.

Eu via outras pessoas tomando aquele chocolate quente, mas sentia que elas o menosprezavam. Como podiam tratá-lo como "apenas uma bebida qualquer - prefiro café"?? Incabível! Aquilo era tão gostoso! Ficava brava por desperdiçarem o que poderia ser meu.

Depois de um tempo, como acontece com tudo que é feito em exagero, começou a me fazer mal.

Para me preservar, me vi obrigada a parar. Muito a contragosto fui diminuindo a dose, substituindo por água... às vezes tinha uma recaída... foi um processo longo e bem chato. Sofri muito até conseguir eliminar o vício. Mas consegui.

Hoje gosto de chocolate quente tanto quanto gosto de muitas outras bebidas. Eventualmente tomo, só que já não me é essencial para o dia-a-dia.

Mas sempre vou lembrar com carinho daquela época. E nunca vou esquecer seu gosto.

Monday, September 14, 2015

Everytime...


Friday, September 11, 2015

Vomitando sentimentos

(rascunho de 2005 - não lembro para quem era, mas sei para quem usaria agora [com algumas adaptações])


Porque chega uma hora que transborda...

Desde sempre, a lua exerce um poder sobre mim que simplesmente não consigo explicar. O brilho, os pensamentos que ela desperta, como ela se destaca no céu, como me inspira, como me atrai... fico indefesa, fascinada. A noite fica incompleta se ela não der as caras.

Assim como a lua, algumas pessoas exercem um poder sobre mim que simplesmente não consigo explicar. O brilho, os pensamentos que elas despertam, como elas se destacam no meio de tantas pessoas sem graça, como me inspiram, como me atraem... fico indefesa, fascinada. Meu dia-a-dia fica incompleto sem elas. O grande problema é que, assim como a lua, essas pessoas costumam ser intangíveis. Quando elas chegam um pouco mais perto e se deixam aparentar tangíveis, fico ainda mais encantada, porém a distância se mantém, pois elas normalmente estão isoladas por uma redoma de vidro chamada "relacionamento".

Eu já venho de um histórico não muito agradável de desilusões (acho que corações mais frágeis não agüentariam passar por tudo aquilo) e de quando em quando acontece mais um fato para que eu levante ainda mais a minha guarda, me esconda embaixo da minha couraça e afins. Partindo desse princípio, cada vez menos quero/me permito me envolver, me entregar, me expor... enfim, baixar a minha guarda.

Medo, puro medo de pular fora da minha conchinha... direto para o abismo, ali, naquele vão onde a redoma de vidro se encaixa com a base. Tem acontecido tão freqüentemente isso que estou ficando com ainda mais medo. Ou pior: começo a partir para o conformismo. Ou fico em algum lugar entre o conformismo e a confusão, entre o medo e a esperança. Esperança porque essas pessoas-lua têm o dom de me manter presa a elas, mesmo sem elas quererem. A confusão é tamanha que já não sei mais o que espero... ou SE espero. Criar expectativas só faz com que a decepção seja maior. Por isso me engano tentando não esperar mais.

Agora uma pergunta idiota surgiu: por que é mesmo que vomito isso tudo em você? Ah, é! Você é uma pessoa-lua. E eu, uma pessoa que, apesar de manter a guarda alta, quando ela cai, é de uma vez... e cá estou, 100% exposta, lembrando de um meio-sorriso que vi há alguns dias...

Posso, sim, ter confundido as coisas... afinal o meu mundinho fantástico e a realidade são separados por uma membraninha tão tênue que eu tenho receio que rasgue... Mas nesse exato momento é o que eu sinto. Ou o que acho que sinto, pois nem isso sei ao certo mais. E agora aperto o send e sumo do planeta! O.O

Como eu fico vulnerável e besta quando me encontro nesse estado. Droga...