As piores horas são as primeiras.
Daquele instante em que você acorda, recobra a consciência - aos poucos ou subitamente - e percebe que ainda está viva, até você terminar de fazer todo o processo necessário para preparar sua carcaça para enfrentar mais um dia.
As piores horas são as seguintes.
Daquele instante em que você se dá conta de que não tem como cancelar o dia e terá mesmo que sair de casa, andar na rua, interagir com pessoas e enfrentar a hostilidade alheia - um espelho - até você começar suas atividades mundanas e inúteis.
As piores horas são as próximas.
Daquele instante em que você se abriga da rua num lugar para onde você não queria ir, fazendo coisas que não queria fazer, convivendo com pessoas com as quais você não queria conviver, tendo conversas que você não queria ter, até o momento em que o relógio liberta você de volta para a loucura das ruas.
As piores horas são as últimas.
Daquele momento em que você coloca os pés em casa e solta um suspiro profundo ao perceber que nada se resolve sozinho, até o momento em que você se deita e fica remoendo as memórias de mais um dia vazio até adormecer, desejando não acordar mais.
Repeat.
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