Wednesday, January 22, 2020

Rascunho de 24/04/2018

Encaro o espelho e estranho a pessoa que está ali. Olho meus retratos e não reconheço quem está lá.

Não sei quem fui, não sei quem sou.

É como se eu estivesse observando à distância alguém desempenhar meu papel. E ela está fazendo um péssimo trabalho.

Rascunho de 30/03/2017

Preciso buscar coisas que me façam bem. Preciso lembrar o que me faz bem. Em algum momento da jornada, me perdi.

Preciso apagar e reescrever um monte de diretrizes pelas quais vivo.

Algumas foram escritas com muita força e, mesmo que eu consiga apagá-las, a página ainda assim ficará marcada. E, caso resista e não rasgue, provavelmente ficará mais fina e frágil.

Rascunho de 27/12/2004

O que fazer quando alguém em quem você confia plena e cegamente apunhala suas costas? Quando você descobre que esse alguém é só fachada com você? Que esse alguém tranca seus reais sentimentos a sete chaves, fazendo você de boba? Que esse alguém reclama de você e das suas atitudes para Deus e o mundo, mas você não sabe e acha que está tudo bem?

Será que esse alguém finge para se resguardar? Para resguardar você? Para manter as aparências? Para manter as esperanças? Para não ter que se explicar? Será que esse alguém está tentando enganar a você ou se enganar? Por que ficar nesse sofrimento? Por que não cagar logo e desocupar a moita? Por que brincar com sentimentos alheios que são sinceros e verdadeiros?

O vinho a deixara torpe e ela bocejava sem parar. Olhou para sua taça quase vazia. Quantos goles ainda continha? Três, quatro talvez. Queria continuar, mas não conseguia. Se bebesse tudo, certamente vomitaria e isso seria desperdício de um bom vinho.

Secou as lágrimas que seu último bocejo produzira. Só assim para lacrimejar. Fazia alguns meses que não chorava. Não porque não quisesse ou sentisse vontade, mas em um misto de frieza e auto-censura não conseguia.

Suas pálpebras pesavam e já não conseguia focar sua vista em nada, mas queria continuar assistindo, lendo, jogando... escrevendo...

Sentia como se seu cérebro boiasse em óleo.

Queria continuar, mas não conseguia.