Friday, January 21, 2022

Rascunho eterno de uma mente sem lembranças

Tenho vontade de escrever o tempo todo, sobre (quase) tudo. Porém nunca de fato o faço e, muito menos, termino algum pensamento ou texto. O resultado é um número quase infinito de rascunhos. Tem rascunho no computador, no celular, na nuvem, em folhas de caderno, em papéis rasgados, em guardanapos... mas a maioria não conseguiu sequer ganhar uma versão física. Quase todos estão amontoados no meu cérebro. E pior que já nem tenho mais acesso a eles, pois minha memória não permite.

Além disso, entre crises e mais crises de depressão, fui gradualmente me afastando de tudo que gosto (gostava?) de fazer. Entre elas, escrever.

E, assim como meu corpo definhou por ficar muito tempo deitada e sem me alimentar*, sinto que de alguma forma meu cérebro também atrofiou. Inclusive tem estudos que sugerem que em casos crônicos (como o meu - yay!) a depressão faz o hipocampo encolher e de fato destrói parte do cérebro, então pode ser que não seja apenas um sentimento, e sim um fato.

E eu esqueci qual era o ponto desse post, então ele vai ficar inacabado. Mais um rascunho.


*isso aconteceu em 2018

Wednesday, January 19, 2022

Todo dia ensaio inúmeras cartas que nunca são de fato escritas, mas essa daqui eu precisei registrar.

Sinto sua falta, amigo.

Compreendo que circunstâncias da vida nos afastaram, mas eu realmente sinto sua falta. Tenho tanta coisa pra contar... boas, ruins... a maioria apenas corriqueira e desinteressante. Muita coisa deve ter acontecido por aí também e eu queria tanto saber!

Sinto falta de saber de você, de saber se seu dia foi bom, se você está feliz ou se a ansiedade te paralisou mais uma vez. Sinto falta de ver você empolgadíssimo com um assunto qualquer, para no momento seguinte já ter outro interesse e ficar tão empolgado quanto. Sinto falta de ouvir você contando suas histórias, rindo, se indignando e rindo de novo... sempre exagerado e superlativo.

Sinto falta das suas provocações, seja no sentido Abujamra ou Pimentinha, ou às vezes as duas coisas juntas, porque você é muito bom nisso. Sinto falta de ficar em dúvida se você está falando sério ou se só está tirando uma com a minha cara.

Sinto falta dos passeios na livraria e na banca de jornal, do cinema de última hora - e do planejado também. Sinto falta dos hamburguinhos, dos PFinhos e dos cafezinhos. Sinto falta de te acompanhar em programas inusitados e me maravilhar com você.

Sinto falta de resgatar você perdido em algum lugar ou de rir muito da sua cara quando você se perde num trajeto que você faz todo santo dia. Sinto falta de te enviar memes e fazer você rir quando não pode. Sinto falta de fazer você rir.

Sinto falta de trocar impressões sobre filmes, séries, livros, músicas, jogos, tatuagens, pessoas e quaisquer outras coisas - você quase sempre traz comentários pertinentes e certeiros, que me fazem expandir minhas maneiras de pensar.

Sinto falta do seu abraço - raro, mas sempre muito acolhedor. Sinto falta da sua gargalhada e também do seu riso contido, que deixa você um tom de rosa intenso. Sinto falta de ver seu olho brilhando quando vê algo belo, da sua sensibilidade e da sua forma de enxergar o mundo. Sinto falta das fotos - bonitas e feias.

Sinto falta de compartilhar momentos com você.

Amigo, sinto muito a sua falta. Compreendo que circunstâncias da vida mudaram nossa relação, mas tem coisas que jamais mudarão:

Você é muito besta! E eu amo você.