Tuesday, June 21, 2011

Vida...

Quantas crianças você conhece que nasceram ao som de Vivaldi? "As Quatro Estações" tocavam quando vim ao mundo. Um sinal que, desde sempre, não me encaixaria em padrão algum.

Minha festa de aniversário de quatro anos teve um palhaço e uma piscina cheia de bexigas. Sou coulrofóbica e tenho pavor de bexigas.

Quando vim ao Brasil, fui hostilizada pela minha própria família por "falar engraçado". Meu sotaque. Até hoje sofro as conseqüências. Ao mesmo tempo em que falar fluentemente outra língua me assegura posições no mundo corporativo, as pessoas ao redor parecem tomar isso quase como uma ofensa direta ao intelecto.

Estranho falar sobre intelecto. Sempre estive entre os quatro melhores alunos da minha classe ao longo do colegial. Hoje, nem classe tenho. Larguei tudo que é tipo de estudo. Apesar de uma retomada estar nos planos, é provável que nunca saia deles, por medo. Tanto daquela exposição, quanto de não atender às expectativas.

Desde a segunda série primária fui alocada a um "grupo especial de estudos", por assim dizer. Crianças com talentos especiais, diziam eles. O que tem de especial em ser estranha, esquisita, diferente dos amiguinhos?

Nada. Absolutamente nada. Isso é um tipo de discriminação que extermina qualquer chance de se enquadrar em uma normalidade. A criança cresce achando que é diferente, sabendo que é diferente, porque freqüentar esse tipo de aula só expõe a criança aos amiguinhos.

Tem-se o conforto da facilidade em aprender, e o peso de nunca se encaixar em âmbito algum.

Um talento não propriamente desenvolvido acaba dando nisso: uma pessoa mediana. Sempre dentro dos 60%. 60% nas provas, 60% no vestibular, 60% nos conhecimentos, 60% nas entrevistas de empregos, 60% nos relacionamentos. Pouca coisa acima da média, o suficiente para chamar atenção... mas nunca o suficiente para levar algo adiante.

Isso leva a uma vida vazia. Uma vida em que nada é concluído. Uma vida de frustrações...

A vontade de fugir é imensa. Falta oportunidade. E coragem.

Mas isso faz parte de uma vida medíocre.

Sunday, June 12, 2011

fuga

Ignorando a mim
Não me olho no espelho
Não me ouço, não me aconselho

Para onde vou, não quero estar
Se tenho que ir
Não quero me acompanhar

Não rio dos meus gracejos
Não me compadeço com minhas dores
Sufoco meus amores

Poupo a todos
Só me afasto...

Thursday, February 03, 2011

Sem chapeuzinho



Ele pulou à sua frente, caninos à mostra.

Ela, apesar do evidente susto, superou seu medo e - ignorando o fato de estar encarando um enorme lobo - aproximou-se cautelosamente.

A fera, ainda que desconfiada, deixou-se acariciar e em instantes os dois já brincavam no bosque, correndo entre as árvores e rolando na grama. Por pouco tempo, porém. Em dado momento o lobo lembrou o que era e, percebendo que se afastava de sua natureza lupina, de um salto desvencilhou-se dos carinhos que recebia e rosnou ameaçadoramente, exibindo seus afiados caninos uma última vez e correndo para longe em disparada.

Chateada, a garota continuou sua jornada. No entanto, nunca mais se esqueceria dos alegres e breves momentos que passara com aquele lobo, e carregaria para sempre a imagem daqueles caninos.

Até hoje ela saudosamente passeia pelo bosque, na esperança de reencontrar o lobo que a fizera tão feliz naquele dia e que pareceu tão feliz com ela.

Monday, January 10, 2011

?

Como saber o que é certo para você?
Como saber qual caminho seguir?
Seguir razão ou instinto?
O que levar em conta para racionalizar?
Como saber se é intuição ou vontade?
Como englobar os outros nas suas decisões?
Onde fica a barreira do egoísmo?
E se você fizer parte da decisão alheia?
E o destino, onde se encaixa nisso tudo?