Friday, December 12, 2014

The winner takes it all*

Quem me conhece, sabe que Loser Manos não figura entre as bandas que aprecio. Acho, num geral, chato e irritante e evito sempre que possível.

Mas esse texto não é sobre minha opinião a respeito da banda.

Há uns dias, uma pessoa muito querida e especial disse que sempre lembra de mim ao ouvir uma música do Los Hermanos ("Não sei como você não gosta! Essa música é a sua cara!"). É importante frisar que essa pessoa gosta muito dessa música e sempre se emociona ao ouvi-la. (vai que a lembrança é ruim, né? hahah)

Por considerar muito essa pessoa e suas opiniões, além de confiar em seu bom gosto, resolvi então ouvir essa música. Assim, de verdade, porque eu já a conhecia.

E aí que eu ouvi... e ouvi de novo... e outra vez... mais uma... e outra... e tenho ouvido praticamente em looping há dias.

Não, não comecei a gostar de Los Hermanos. Mas aprendi a gostar dessa música, pois ela foi carregada de um significado além da letra, que por si só é muito boa. (sim, optei por ignorar o vocal que, para mim, ainda é irritante)

Sem mais delongas, vamos a ela:




O Vencedor
Los Hermanos (a.k.a. Loser Manos =P)

Olha lá, quem vem do lado oposto
Vem sem gosto de viver
Olha lá, que os bravos são
Escravos sãos e salvos de sofrer

Olha lá, quem acha que perder
É ser menor na vida
Olha lá, quem sempre quer vitória
E perde a glória de chorar

Eu que já não quero mais ser um vencedor
Levo a vida devagar pra não faltar amor

Olha você e diz que não
Vive a esconder o coração

Não faz isso, amigo
Já se sabe que você
Só procura abrigo
Mas não deixa ninguém ver
Por que será?

Eu que já não sou assim
Muito de ganhar
Junto as mãos ao meu redor
Faço o melhor que sou capaz
Só pra viver em paz

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Num mundo em que tudo é correria, em que todo mundo se debate o tempo todo para aparecer, em que todos têm que ser forte o tempo todo, em que todas as ações se baseiam em se destacar, em ser melhor que os outros, em subir e subir e subir na vida, a letra dessa música é um alento.

Levar a vida devagar [para não faltar amor] e fazer o seu melhor só para viver em paz vão contra tudo isso e mostra uma serenidade com a qual me identifico muito. Quero mais é que se dane. Não preciso ser a melhor em tudo. Deixe que quem queira que se estapeie.

Vou ficar aqui lendo/jogando/ouvindo música (mas não Loser Manos, pelamor). ;P


*Título de uma música do ABBA



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Update (17/06/2015)

Achei um desenho que representa muito bem essa música. =)

(fonte)

Thursday, November 06, 2014

L'esprit de l'escalier

Em algumas situações - especialmente as mais delicadas - conseguir captar o momento certo de se pronunciar e de fato falar algo pertinente ou relevante é bastante complicado. Para mim, claro. Algumas pessoas tem uma facilidade invejável para argumentar, discutir ou confortar com as palavras necessárias no instante mais adequado.

Comigo acontecem duas situações: primeiro, ensaio à exaustão o que falar, como dizer, analiso as possíveis reações e como agir... e na hora esqueço por completo e sai tudo errado. Depois, fico remoendo o diálogo e penso nos argumentos perfeitos, em tudo que deveria ter dito e que não saiu na hora.

A maneira que usualmente utilizo para contornar isso é escrever, me dando tempo o suficiente para pensar com calma e explanar tudo que se passa com um raciocínio linear e palavras bem escolhidas. Entretanto, expressar-se por escrito abre muita margem para interpretações erradas. Seja por alguma entonação mal recebida ou apenas porque o recipiente não é lá essas coisas em interpretação textual, as chances da mensagem ser mal recebida são grandes.

Frente a isso, acabo optando pelo silêncio... o que pode ser ainda mais nocivo. =/

Wednesday, November 05, 2014

Inspiração

Não sabia por onde começar. Seus olhos cansados vasculharam o cômodo apinhado de quincalhas. Itens valiosos misturavam-se a lixo, quase indistintos.

O que procurava estava ali. Tinha que estar. Em algum momento já tivera posse disso e tudo que já passara por suas mãos ia parar nesse lugar.

"É apenas uma coleção." Disse em voz alta como se explicasse isso a alguém, mesmo estando só.

Exalou vagarosamente e começou a caminhar com cautela pela bagunça. Era difícil não tropeçar ou pisar em algo, mas a determinação em encontrar o que procurava era maior que o medo de tomar um tombo ou cortar o pé.

"Onde? Tem que estar aqui! Sei que tenho... Já tive..." Distraiu-se ao começar a prestar atenção não no caminho que tentava percorrer até o outro lado do cômodo, mas sim nas coisas à sua volta.

Apanhou um velho porta-retratos, displicentemente jogado sobre uma pilha de enfeites coloridos. A armação que um dia fora dourada estava solta. Terminou de desmontá-la e livrou-se do vidro rachado que falhava em proteger uma fotografia.

Com cuidado, limpou a poeira que entrara sorrateira pelas frestas criadas pelo deterioramento do porta-retrato. Observou atentamente os rostos revelados. Conhecidos. Eram muitos. Talvez uma centena, talvez uma dúzia. As lágrimas impediam a contagem correta.

A enchente de sentimentos foi avassaladora. Absolutamente tudo que se acumulara naquele cômodo se resumia àquele retrato. Tudo tinha sido delas, por elas, com elas ou para elas. Dado, emprestado, roubado ou compartilhado. Chorava sincera e copiosamente, sentindo-se mais leve a cada soluço.

Depois de um tempo que poderiam ser horas ou apenas alguns instantes, secou as lágrimas e inspirou. Profundamente.

Não havia encontrado o que procurava, mas certamente achara o que precisava.

Friday, June 13, 2014

Não é tão difícil (acho)

(esse post não tem NADA a ver com protestos, política, ou correlatos, tá? falo do "espetáculo", apenas e tão somente.)

Ainda engasgada com a abertura da copa. Foi completamente decepcionante. Foi totalmente... nhé.

Dava para visualizar a Tia Paula, minha professora de música do primário, lá na frente da quadra, lembrando a coreografia pra criançada. E quem não tem uma noção do país e sua cultura (lembrei agora de dois croatas que vi, completamente perdidos no metrô), olha aquela coisa cheia de pom-pons (nem todo mundo sabe o que é uma araucária aqui mesmo no país, imagine os estrangeiros!), meia dúzia de gente pulando e dançando umas coisas nada a ver (a gente conhece, eles não!) ou aquele reco-reco gigante e pensa "What the fucking hell??" 

Vai dizer que faltou recurso? Tempo para planejar?

Não precisava de grandes pirotecnias, show de luzes e tal, afinal o país é riquíssimo em danças típicas muito bonitas e ritmos regionais contagiantes e isso tem que ser mostrado, sim! Mas daria para elaborar isso de uma forma tão linda! Sei lá... coloca um mapa do país no chão ou em um telão e vai acendendo a região do país relacionada com aquela dança típica, por exemplo. Ou, se não tem grana, coloca umas crianças passando com um tecidão com o nome da região/estado/ritmo/dança/whatever.

TANTA coisa que dava para fazer. Tiveram SETE anos para inventar uma abertura FODÁSTICA e mandaram a q u i l o... *suspiro*

Olha só... não é que eu pague um pau para os EUA, mas há VINTE ANOS eles fizeram isso:

Parte 1
(incompleta, qualidade tosca, com o Galvão narrando por cima e AINDA ASSIM é melhor do que o que aconteceu ontem)

Balões! Olha que ideia simplérrima e olha o efeitão que dá! Aquelas plaquinhas para fazer letreiros ou montar imagens... vai dizer que é tão dispendioso assim?

E a musicalidade brasileira! TANTA coisa a se explorar... Aqui tem tanto cantor/cantora/banda bacana para botar pra cantar e animar a galera... E gringo gosta tanto, mas TANTO de música brasileira!! Um show do Ney Matogrosso é mais legal e bem coreografado (sim, ele sozinho) do que aquilo que aconteceu ontem!

Particularmente, não gosto muito, mas acho que o Skank (devidamente legendado no telão) animaria mais do que aquele playback tenebroso daqueles três panacas e tenho certeza que todos os torcedores do mundo simpatizariam com a letra e seriam contagiados pelo ritmo.

E cadê o mascote animando a galera? Tão controverso... pelo menos bota ele para fazer umas firulas.

Enfim... frustrada. =/

(Se vier algum babaca aqui dizendo "faz melhor", me dá sete anos e tudo isso de dinheiro que, SIM, FAÇO MELHOR. Com certeza ABSOLUTA!)

Friday, May 30, 2014

Absurdamente óbvio ou obviamente absurdo?

Essa semana sonhei com elevadores. De novo.

Já faz alguns anos que tenho sonhos com temas similares, sendo três bem distintos: viagens (sempre atrasada, sempre faltando algum documento, sempre esquecendo alguma coisa), banheiros (os mais esquisitos e menos parecidos com banheiro possível, mas nunca fazendo alguma coisa relacionada a banheiro - exceto no último sonho com este tema, em que eu tentava tomar banho) e elevadores.

Obviamente, não são elevadores como conhecemos no mundo real. Eles andam para todos os lados, têm tamanhos absurdos (tanto enormes, quando minúsculos), decorações surreais... enfim: elevador de sonho. Esse, em particular, ia rotacionando em torno do próprio eixo horizontal, enquanto ia para absolutamente qualquer direção. Cada parede tinha um tema decorativo completamente diferente um do outro e a "parede da vez" afetava também o clima do elevador.

Não lembro de onde saí e também não cheguei a lugar algum. Só fiquei lá, sendo girada, tentando fazer a transição de uma parede para a outra sem me machucar e tentando entender a decoração do momento e me adaptar a ela.

Enquanto escrevo sobre isso, analiso e percebo que o sonho está muito de acordo com a minha vida atual: estou sendo levada sem saber para onde vou, as coisas vão mudando sem eu ter controle nenhum sobre elas, e vou tentando assimilar as mudanças sem maiores traumas.

Mas e daí, né? Grande coisa meu subconsciente me apontar o óbvio. Quero premonições! =P

Monday, May 26, 2014

Por um triz

Algumas pessoas são translúcidas...

Suas verdades diáfanas e fugidias quase podem ser vistas, aparecendo como vultos por trás de uma cortina. Não exatamente escondidas, mas também não totalmente aparentes.

O pouco de atenção que dispensam é exatamente suficiente para quase desvendar seus mistérios, mas ainda manter uma distância tentadora.

Elas passam uma sensação de quase segurança, de quase saber o que está acontecendo, de quase esperança...

Intangíveis...

Mas só quase.

Wednesday, May 21, 2014

Metapost... de novo...

Faz semanas que quero escrever...

Enquanto estou longe de qualquer forma de tomar notas, textos (quase) inteiros vêm à minha mente sem cessar, mas - entre uma procrastinação e outra - parar para escrever é para as ideias como pingar uma gota de detergente no óleo: elas se dispersam instantaneamente.

Um dia eu consigo. =)


Thursday, April 17, 2014

Baby steps...

Dia desses me perguntaram qual momento da vida eu reviveria se me fosse dada a chance de escolher apenas um...

Fiz uma retrospectiva mental de anos e anos de momentos interessantes ou engraçados ou prazerosos ou felizes ou simplesmente bons (até mesmo os ruins - revivê-los para aprender com eles e bló), porém não consegui escolher um que se destacasse a ponto de ser revivido. Desnecessário dizer que cada momento é único, mas não imaginava que fossem únicos a ponto de eu não ter interesse em revivê-los, mas sim somente guardar a memória que já tenho deles.

Depois de pensar por mais um tempo, finalmente consegui escolher um momento que eu gostaria de reviver. Não por ter sido memorável. Exatamente pelo contrário: por eu não ter memória alguma sobre o ocorrido.

Ainda assim, deve ter sido um dos mais marcantes. O mais excitante, provavelmente. Uma das maiores realizações, um dos maiores feitos... algo que não vejo sendo superado em importância tão cedo.

Refiro-me ao momento em que comecei a andar.

A sensação da vitória deve ter sido algo indescritível! Inimaginável!

Acho que para um adulto deve ser a equivalente a aprender a voar... e como eu acho que adultos não voarão por alguns ciclos geológicos (vamos, mutações! façam alguma coisa a respeito!!), é algo que nunca experienciaremos novamente!

E nós simplesmente... take it for granted. (não consigo tradução tão boa quanto o significado original)

Like so many things, all the time...

Monday, March 31, 2014

Como num conto de fadas...

(texto de 30/01/2006)

Quando criança, eu realmente acreditava em contos infantis, daqueles em que um príncipe se apaixona por uma plebéia e eles vivem felizes para sempre e sempre. Ficava horas na frente do espelho ensaiando o que falar quando o príncipe chegasse, para não fazer feio e arrebatar seu coração de vez.

Os anos passaram e descobri que tudo é fantasia, historinhas para menininhas irem dormir cheias de esperança no coração... Mas ainda vivo boa parte do meu tempo no mundo da fantasia...

E em cada olhar que cruza com o meu busco aquele brilho, aquela conexão. Procuro em cada sorriso aquele conforto. Em cada gesto, a confirmação daquela esperança de menina. Não sei bem o que procuro, ou quem procuro.

Acho que quero mais é ser feliz. =)