Monday, November 07, 2016

Essa é nova...

"Vai dar tempo, vai dar tempo, vai dar tempo." O semáforo fechou. Não deu tempo. Meu olhar se perdeu na paisagem urbana e mergulhei em meus pensamentos, enquanto aguardava o semáforo abrir.

Havia acabado de sair da consulta com meu psicólogo. A consulta foi meio atravancada. Ele disse - e não era novidade alguma - que estou muito fechada. Oras... eu sei. Mas, por quê? Estava tentando formar uma cadeia de pensamento, e as pessoas começavam a se aglomerar ansiando para atravessar a rua.

"Dfnt e êlo..."

O pedaço de frase ininteligível chamou parcialmente a minha atenção. Provavelmente apenas alguém que estava conversando muito próximo ao meu ouvido esquerdo. Olhei de soslaio. Ao meu lado, uma moça baixinha de óculos tinha seus olhos cravados em mim.

"Diferente seu cabelo... a cor", disse timidamente a moça de óculos, fazendo menção de passar a mão nos meus cabelos. Sorri e me afastei um pouco, meio sem graça, e concordei, "É".

Ela sorriu. "A senhora é drag queen?"

Eu demorei uns três segundos até assimilar a pergunta e ter certeza de que a havia entendido corretamente. Levantei uma sobrancelha, "Ahn... Não."

"Ah, tá. Desculpa." O semáforo abriu e a moça de óculos saiu caminhando apressadamente, de cabeça baixa e toda envergonhada. Atravessei a rua dando risada da situação inusitada.

E ela ainda teve o cuidado de me chamar de senhora!

Wednesday, November 02, 2016

A incrível arte de deixar pra lá...

Novas histórias borbulham dentro de mim o tempo todo.

Só hoje, devo ter iniciado umas cinco histórias diferentes, com potencial de se tornarem interessantes.

O começo aparece bem claro, delineio o desenrolar... e não concluo. A história some, sem nunca tomar forma.

Estou falando sobre escrever, mas poderia estar falando da minha vida.

Tuesday, September 13, 2016

Repeat.

As piores horas são as primeiras.

Daquele instante em que você acorda, recobra a consciência - aos poucos ou subitamente - e percebe que ainda está viva, até você terminar de fazer todo o processo necessário para preparar sua carcaça para enfrentar mais um dia.

As piores horas são as seguintes.

Daquele instante em que você se dá conta de que não tem como cancelar o dia e terá mesmo que sair de casa, andar na rua, interagir com pessoas e enfrentar a hostilidade alheia - um espelho - até você começar suas atividades mundanas e inúteis.

As piores horas são as próximas.

Daquele instante em que você se abriga da rua num lugar para onde você não queria ir, fazendo coisas que não queria fazer, convivendo com pessoas com as quais você não queria conviver, tendo conversas que você não queria ter, até o momento em que o relógio liberta você de volta para a loucura das ruas.

As piores horas são as últimas.

Daquele momento em que você coloca os pés em casa e solta um suspiro profundo ao perceber que nada se resolve sozinho, até o momento em que você se deita e fica remoendo as memórias de mais um dia vazio até adormecer, desejando não acordar mais.

Repeat.

Tuesday, August 30, 2016

Obscura mentira

"Tudo bem, trago o chocolate quente depois, então."

Quando o garçom retirou sua xícara, o agradecimento saiu baixo e abafado. Não está "tudo bem", caro garçom. Longe disso. Estava nervosa como há tempos não estivera. Suas mãos geladas e úmidas faziam movimentos tensos e contidos, constantemente amassando e desamassando um pobre guardanapo. Um origami de ansiedade.

Olhava incessantemente para a porta. A cada pessoa que surgia ela prendia a respiração, seu coração dava um salto e o guardanapo em suas mãos sofria as consequências. Esse processo se repetiu algumas vezes, até o momento em que ele finalmente apareceu.

Sentiu suas pernas amolecerem e o tempo pareceu congelar. Observou com carinho cada detalhe do seu rosto, e o esforço que ele fazia para tentar disfarçar sua cara de perdido a fez sorrir com ternura. Como era bonito.

Voltou a si e, dentro de todo seu nervosismo, decidiu resgatar o rapaz com um breve aceno, que foi respondido com um tímido sorriso. Tão lindo... tão lindo... Ele veio em sua direção e ela focou novamente em seu propósito. Desajeitado como sempre, sentou-se à sua frente e abriu um sorriso franco que quase a fez se derreter.

Recompôs-se rapidamente. "Desculpe, mas eu já estou indo", disse antes mesmo que ele pudesse cumprimentá-la, pois sabia que não resistiria à voz dele. "Logo deve chegar um chocolate quente que já deixei pago para você, porque sei que você gosta", ficou contente consigo por usar esse conhecimento para dar um toque de cuidado à situação desagradável. "E sei que você vai precisar", completou, se recuperando do devaneio e falando apressadamente.

Era chegada a hora de cortar os laços de uma vez por todas, contra toda a sua vontade. Ela inspirou profundamente. "O que tivemos foi maravilhoso e sempre terei muito carinho por você, mas…" Num átimo reviu todos os momentos vividos juntos. Como amava aquele homem. Como era feliz com ele por perto. Fraquejou. Forçou-se a lembrar o que a colocara naquela situação. Engoliu a seco e continuou.

"Não podemos continuar… me apaixonei por outra pessoa. Desculpe”.

Sentiu cada palavra pingando de sua boca com o peso da mentira. O peso também estava em seus olhos, que não conseguiam se erguer para encarar o enorme par de olhos intrigados, que a encaravam com estranheza. O peito também pesava, deixando sua respiração curta e difícil. O coração disparado não a ajudava a respirar, mas a impulsionou a levantar-se de súbito e ir embora, sem dar qualquer chance de ele se manifestar.

Ao alcançar a rua, sinalizou para o primeiro táxi que avistou e ao terminar de informar seu destino ao motorista seu rosto já estava encharcado pelas lágrimas que ela não conseguia mais segurar.

Wednesday, August 17, 2016

Clara verdade

A claridade incomodava seus olhos, que lacrimejavam enquanto piscava sem parar.

Atravessou a rua com passos rápidos e ansiosos e entrou no pequeno café. O ambiente estava escuro e demorou para que seus olhos se acostumassem. Enquanto se adaptava à súbita mudança de iluminação, ficou imaginando o que as pessoas pensariam ao vê-lo parado na porta, com cara de perdido.

Se preocupar com a imagem passada para os outros era uma constante que consumia grande parte do seu tempo e pensamento. Roupas, cabelo, postura, tudo era meticulosamente calculado para agradar a quem ele sequer conhecia. Intimamente sabe que é batalha perdida, mas o hábito já havia se tornado parte de si.

As paredes tinham cor de sorvete de creme com detalhes em madeira escura que pareciam pedaços de chocolate, o que o fez inconscientemente sentir vontade de comer algum doce. Para se acomodar, havia opções de mesinhas redondas com cadeiras estofadas ou pequenos sofás em couro macio. O lugar era aconchegante, porém ele se sentia deslocado e desconfortável.

Passou os olhos pelo ambiente. Sempre tivera dificuldade em reconhecer rostos, por mais familiares que fossem, e por isso tinha receio de passar vergonha. Especialmente naquele momento. De soslaio, captou um breve aceno ao qual respondeu com um tímido sorriso. Ainda teve que conferir algumas vezes no arquivo mental se era a pessoa certa, antes de se encaminhar rapidamente à mesa no canto.

Fez o possível para parecer cômodo na cadeira e sorriu, dessa vez sem timidez. "Desculpe, mas eu já estou indo", disse a dona do aceno, a pessoa certa, antes que ele sequer pudesse cumprimenta-la. "Logo deve chegar um chocolate quente que já deixei pago para você, porque sei que você gosta. E sei que você vai precisar", continuou, falando apressadamente.

Ele franziu o cenho, estranhando sua pressa e modo de falar. Ela inspirou profundamente. “O que tivemos foi maravilhoso e sempre terei muito carinho por você, mas... não podemos continuar... me apaixonei por outra pessoa. Desculpe”. Levantou-se e saiu de supetão. Sem ao menos dar a chance de um adeus.

A verdade incomodava seus olhos, que lacrimejavam enquanto piscava sem parar.

Friday, August 05, 2016

Singular*


Entrei em colapso, atingi a singularidade e agora estou além do horizonte de eventos, presa em uma bolha de distorção temporal onde cada minuto demora uma eternidade para se arrastar e ao final de cada dia sinto-me atropelada por uma semana inteira.

Ao mesmo tempo, fora da bolha, em um piscar de olhos meses se passam sem que eu perceba e tudo parece estar ruindo a uma velocidade estonteante, que não consigo acompanhar. 

Mas é a apenas minha percepção temporal, pois esse nada mais é que o ritmo natural da ruína... digo, da vida.


*singular
adjetivo de dois gêneros ( sXIV)
1. único de sua espécie; distinto; ímpar
2. não vulgar; especial, raro
3. fora do comum; admirável, notável, excepcional
4. não usual; inusitado, estranho, diferente
5. que vale por si só; significativo, característico
6. que causa surpresa; surpreendente, espantoso; extravagante, bizarro
7. lóg que se aplica a um sujeito único
adjetivo de dois gêneros e substantivo masculino
8. gram do ponto de vista semântico, diz-se de ou o número que indica uma só pessoa ou coisa

Monday, May 30, 2016

Eu disse NÃO.

Eu estava no auge dos meus 18 anos. Mas não eram 18 anos comuns, eram os meus 18 anos.

Tive uma adolescência tardia e sempre vivi no mundo dos sonhos. Então aos 18 eu ainda tinha uma certa magia no olhar que me permitia fantasiar sobre pessoas e situações e manter uma dose estúpida de otimismo. Além disso, eu ainda era incrivelmente inocente e acreditava nas pessoas sem questionar.

O auge dos meus 18 anos consistia, portanto, em estar ganhando meus trocados no meu primeiro emprego, ter recém terminado meu primeiro namoro e não estar estudando. Isso me dava uma leve ilusão de liberdade e eu ainda não havia aprendido a lidar muito bem com tudo aquilo.

Foi nesse contexto que conheci o Sombra, em uma feira em que a empresa na qual eu trabalhava participou. Eu estava passeando pelo centro de eventos, distribuindo panfletos e convidando os visitantes a conhecer o nosso stand, quando me deparei com dois rapazes fazendo uma performance teatro-cômico-acrobática.

Estava engraçadinho, então fiquei assistindo de longe. Notei que, por baixo da maquiagem, um dos rapazes era feio de dar dó (e proporcionalmente engraçado), mas o outro era uma graça, super charmoso e - além de tudo - fazia mágica. Quando, em toda a minha inocência, notei que estava tendo meus olhares correspondidos, voltei a ter 15 anos de idade e fiquei tremendamente empolgada.

Passei mais algumas vezes por onde eles estavam se apresentando, descobri que os dois rapazes eram irmãos, conversamos um pouco sobre aleatoriedades a respeito da feira, e no final do último dia de feira (foram quatro) ele anotou meu telefone e se despediu de mim com um singelo selinho.

Em seguida à feira, teve um feriado e viajei para Ilhabela com meu irmão e uns amigos nossos. Qual não foi a minha surpresa quando no dia seguinte meu celular toca. Era o Sombra. Eu jamais imaginaria que aquele artista cheio de mistério e charme se interessaria o suficiente por aquela menina boba e desajeitada. Mas pareceu que sim e eu, claro, fiquei encantada e já comecei a fantasiar como toda adolescente idiota.

Ilhabela imediatamente perdeu a graça e eu ansiava pela volta, para poder encontrar o meu príncipe misterioso. Na época ainda se usava muito telefone para de fato falar, então conversamos bastante antes de nos encontrar e ele concordou em me acompanhar ao aniversário de uma amiga. Eu achava graça em tudo que ele falava e ele parecia ser a pessoa mais interessante do mundo.

A noite foi bem bacana e ele se mostrou muito cortês todo o tempo. Fiquei com vontade de vê-lo novamente e parecia que era recíproco, embora hoje eu perceba que boa parte dessa reciprocidade era apenas minha esperança preenchendo lacunas e achando justificativas para as evasivas dele.

De qualquer forma, depois de quase duas semanas ele finalmente concordou em me receber no bairro dele, que ficava a cerca de 50km da minha casa. Ele sequer se dignou a me encontrar no meio do caminho, mas eu nem me importava com isso: estava indo ver o homem que eu achava que gostava de mim e, afinal, o que era a distância para dois corações apaixonados??

Peguei um ônibus até a estação de trem, o trem até o metrô, o metrô até o ponto mais perto dele e outro ônibus até chegar lá (sem Maps, heim!!). Todo o peso da distância sumiu no instante em que o vi me aguardando no ponto de ônibus, cabelos ao vento e todo de preto, para adicionar à aura de mistério que eu havia criado em torno dele.

Fomos à casa dele (aproveitei para falar oi para o irmão feioso gente boa), ele me apresentou alguns pontos do bairro... Honestamente não lembro muito bem da ordem dos acontecimentos, mas em algum momento ele informou que tinha que buscar alguma coisa na casa de um amigo dele.

Sempre fui muito literal, e na época eu não tinha malícia, então se o rapaz me diz que precisa buscar algo na casa do amigo dele e ainda comenta que vai ser rápido, na minha cabeça nós vamos passar na casa do amigo dele, pegar o que quer que seja e seguir com o nosso encontro.

Ao chegarmos lá, entramos, mas o amigo dele não estava. Hoje eu sei que o amigo havia cedido o espaço para o Sombra poder ficar à sós comigo, mas na minha inocência da época, pensei que era apenas um ato legal de confiança entre amigos (o que não deixa de ser verdade).

Ele fez que mexeu em alguma pilha de uma bagunça qualquer, depois mexeu em outro canto e então sentou na cama e me chamou para perto dele. Fiquei em pé em frente a ele e começamos a nos beijar. Pouco depois me sentei ao lado dele e em seguida já estávamos deitados.

Até aí, terreno conhecido, tudo bem. Ele começou a passar a mão na minha barriga, subir para os meus seios e comecei a ficar um pouco desconfortável. Eu só havia chegado a esse ponto com meu ex-namorado e só tínhamos chegado até lá por termos construído uma intimidade cercada por carinho e amor, sempre na segurança do quarto dele. Em contrapartida, essa era apenas a terceira vez que eu via o Sombra, eu estava na casa de um completo estranho, em um quarto todo zoneado... já não estava me sentindo tão bem naquela situação.

Foi então que ele desabotoou minha calça.

Eu segurei a mão dele e disse não. Ele disse que tinha camisinha. Eu informei que era virgem e que não queria fazer nada naquele momento. A mão dele não se moveu e ele disse que iria "por só a cabecinha". Eu continuei dizendo que não queria. Ele foi para o zíper, dizendo "quero só te sentir". Nessa hora, o desconforto já havia se transformado em um leve pânico. 

Eu disse, mais uma vez, que não e a tragicomicidade da afirmação seguinte dele é sensacional: "Ah, vai... eu não vou fazer nada que você não queira." Meu rapaz... estou há um tempão dizendo que não quero e você continua fazendo!

Até então estava tendo um jogo de forças entre eu segurar a mão dele e tentar afastá-lo e ele se forçar para cima de mim e tentar me despir, mas era pouca coisa acima do sutil. Eu ainda tinha esperança de que nos entenderíamos conversando. Enfim, eu disse não de novo, mas ele passou da sutileza para a agressividade e conseguiu abaixar as minhas calças.

Brotou um medo real. Eu estava com um cara prestes a me violentar, em um lugar totalmente desconhecido para mim, anoitecia e eu não tinha a menor noção de como voltar para casa... até hoje não sei como, mas na mesma fração de segundo em que tudo isso passou pela minha cabeça, eu consegui me desvencilhar dele, sair da cama e levantar as calças, tudo em um movimento só.

"Eu NÃO quero!"

Ele cobriu o rosto com o braço, bufou, ficou alguns angustiantes segundos em silêncio, até que disse: "Tá. Vam'bora." A partir desse momento, ele ficou super frio comigo e seguimos em silêncio até um ponto de ônibus, onde ele apenas informou o nome do ônibus que eu tinha que pegar e foi embora, quase sem se despedir.

As emoções que se aglomeraram comigo ali naquele ponto estranho à noite são quase indescritíveis, e é com muito pesar que afirmo que quase nenhuma delas colocava o Sombra em foco. Eu estava errada por ser oferecida e ter ido até lá. Eu estava errada por ter ficado sozinha com ele. Eu estava errada por ter usado um jeans um pouco mais justo. Pela reação dele, cheguei até a me sentir culpada por não ter cedido e, com isso, ter ferido os sentimentos dele.

Esse episódio me assombra até hoje. Da culpa eu já me livrei. Foi recente, mas finalmente entendi que absolutamente tudo que pensei estava errado. Poderíamos ter ficado ambos nus e ainda assim não tem essa de ficar amenizando pro lado dele e trazendo a culpa para mim: ELE é quem deveria ter respeitado o meu primeiro não. E ponto. Mas ainda hoje os estágios iniciais de envolvimento com alguém são um bocado tensos para mim, por mais que eu já tenha aprendido a contornar esse trauma.

Queria muito dizer que foi o único caso que aconteceu comigo. Ou o mais leve. Infelizmente, eu estaria mentindo. Certamente foi o mais tenso, por toda a atmosfera do desconhecido, mas não foi o primeiro, não foi o último e... não foi o mais traumático. Escolhi esse caso para narrar, pois foi o único em que eu realmente temi pela minha vida.

Tenho certeza que toda mulher do mundo tem pelo menos um caso de abuso para contar. Com quase a mesma certeza afirmo que elas se sentiram culpadas pelo ocorrido ou tiveram a culpa depositada nelas. E isso é absolutamente repugnante e revoltante.

NADA justifica atropelar o não de alguém e invadir seu corpo. NADA.

E a culpa NUNCA é da vítima.

Saturday, January 02, 2016

Escrito em 20/09/2005

(E ainda tão atual... infelizmente. Feliz ano "novo".)


Às vezes eu sofro não sei direito do quê. É algo que me abate de tempos em tempos, me derruba, me deprime, me coloca para pensar na vida, mas eu nunca sei no que pensar e acabo tocando os dias para frente, tudo como sempre.

É uma vontade imensa de fazer e acontecer e ao mesmo tempo uma enorme apatia e indiferença por tudo ao meu redor.

É uma vontade de sair distribuindo carinho, de fazer com que as pessoas sorriam e ao mesmo tempo eu quero ficar reclusa no meu quarto, isolada do mundo.

É uma vontade de me esforçar, trabalhar muito para ganhar bastante dinheiro para fazer isso ou aquilo, e ao mesmo tempo eu quero jogar tudo para o alto e ir para algum lugar onde seja necessário o mínimo para viver, mas onde eu consiga VIVER.

E nesse momento eu empaquei na minha escrita. Será que esse é o problema? Será que eu sinto falta de viver a minha vida?

Meus pensamentos oscilam entre a vontade de mudar o mundo e a apatia completa, mas minhas atitudes ficam num meio termo.

Será que sofro porque levo uma vida mais ou menos? Mas eu sofro de quê? Mas eu sofro por quê?

Sem resposta, eu permaneço sofrendo, indo do tudo ao nada em pensamento e vivendo em cima do muro. Sem saber o que fazer, como agir ou que rumo seguir.

Amanhã passa...

Talvez eu tenha medo de arregaçar as mangas e fazer algo de verdade por mim, pelos outros..