Tuesday, September 13, 2016

Repeat.

As piores horas são as primeiras.

Daquele instante em que você acorda, recobra a consciência - aos poucos ou subitamente - e percebe que ainda está viva, até você terminar de fazer todo o processo necessário para preparar sua carcaça para enfrentar mais um dia.

As piores horas são as seguintes.

Daquele instante em que você se dá conta de que não tem como cancelar o dia e terá mesmo que sair de casa, andar na rua, interagir com pessoas e enfrentar a hostilidade alheia - um espelho - até você começar suas atividades mundanas e inúteis.

As piores horas são as próximas.

Daquele instante em que você se abriga da rua num lugar para onde você não queria ir, fazendo coisas que não queria fazer, convivendo com pessoas com as quais você não queria conviver, tendo conversas que você não queria ter, até o momento em que o relógio liberta você de volta para a loucura das ruas.

As piores horas são as últimas.

Daquele momento em que você coloca os pés em casa e solta um suspiro profundo ao perceber que nada se resolve sozinho, até o momento em que você se deita e fica remoendo as memórias de mais um dia vazio até adormecer, desejando não acordar mais.

Repeat.

Tuesday, August 30, 2016

Obscura mentira

"Tudo bem, trago o chocolate quente depois, então."

Quando o garçom retirou sua xícara, o agradecimento saiu baixo e abafado. Não está "tudo bem", caro garçom. Longe disso. Estava nervosa como há tempos não estivera. Suas mãos geladas e úmidas faziam movimentos tensos e contidos, constantemente amassando e desamassando um pobre guardanapo. Um origami de ansiedade.

Olhava incessantemente para a porta. A cada pessoa que surgia ela prendia a respiração, seu coração dava um salto e o guardanapo em suas mãos sofria as consequências. Esse processo se repetiu algumas vezes, até o momento em que ele finalmente apareceu.

Sentiu suas pernas amolecerem e o tempo pareceu congelar. Observou com carinho cada detalhe do seu rosto, e o esforço que ele fazia para tentar disfarçar sua cara de perdido a fez sorrir com ternura. Como era bonito.

Voltou a si e, dentro de todo seu nervosismo, decidiu resgatar o rapaz com um breve aceno, que foi respondido com um tímido sorriso. Tão lindo... tão lindo... Ele veio em sua direção e ela focou novamente em seu propósito. Desajeitado como sempre, sentou-se à sua frente e abriu um sorriso franco que quase a fez se derreter.

Recompôs-se rapidamente. "Desculpe, mas eu já estou indo", disse antes mesmo que ele pudesse cumprimentá-la, pois sabia que não resistiria à voz dele. "Logo deve chegar um chocolate quente que já deixei pago para você, porque sei que você gosta", ficou contente consigo por usar esse conhecimento para dar um toque de cuidado à situação desagradável. "E sei que você vai precisar", completou, se recuperando do devaneio e falando apressadamente.

Era chegada a hora de cortar os laços de uma vez por todas, contra toda a sua vontade. Ela inspirou profundamente. "O que tivemos foi maravilhoso e sempre terei muito carinho por você, mas…" Num átimo reviu todos os momentos vividos juntos. Como amava aquele homem. Como era feliz com ele por perto. Fraquejou. Forçou-se a lembrar o que a colocara naquela situação. Engoliu a seco e continuou.

"Não podemos continuar… me apaixonei por outra pessoa. Desculpe”.

Sentiu cada palavra pingando de sua boca com o peso da mentira. O peso também estava em seus olhos, que não conseguiam se erguer para encarar o enorme par de olhos intrigados, que a encaravam com estranheza. O peito também pesava, deixando sua respiração curta e difícil. O coração disparado não a ajudava a respirar, mas a impulsionou a levantar-se de súbito e ir embora, sem dar qualquer chance de ele se manifestar.

Ao alcançar a rua, sinalizou para o primeiro táxi que avistou e ao terminar de informar seu destino ao motorista seu rosto já estava encharcado pelas lágrimas que ela não conseguia mais segurar.

Wednesday, August 17, 2016

Clara verdade

A claridade incomodava seus olhos, que lacrimejavam enquanto piscava sem parar.

Atravessou a rua com passos rápidos e ansiosos e entrou no pequeno café. O ambiente estava escuro e demorou para que seus olhos se acostumassem. Enquanto se adaptava à súbita mudança de iluminação, ficou imaginando o que as pessoas pensariam ao vê-lo parado na porta, com cara de perdido.

Se preocupar com a imagem passada para os outros era uma constante que consumia grande parte do seu tempo e pensamento. Roupas, cabelo, postura, tudo era meticulosamente calculado para agradar a quem ele sequer conhecia. Intimamente sabe que é batalha perdida, mas o hábito já havia se tornado parte de si.

As paredes tinham cor de sorvete de creme com detalhes em madeira escura que pareciam pedaços de chocolate, o que o fez inconscientemente sentir vontade de comer algum doce. Para se acomodar, havia opções de mesinhas redondas com cadeiras estofadas ou pequenos sofás em couro macio. O lugar era aconchegante, porém ele se sentia deslocado e desconfortável.

Passou os olhos pelo ambiente. Sempre tivera dificuldade em reconhecer rostos, por mais familiares que fossem, e por isso tinha receio de passar vergonha. Especialmente naquele momento. De soslaio, captou um breve aceno ao qual respondeu com um tímido sorriso. Ainda teve que conferir algumas vezes no arquivo mental se era a pessoa certa, antes de se encaminhar rapidamente à mesa no canto.

Fez o possível para parecer cômodo na cadeira e sorriu, dessa vez sem timidez. "Desculpe, mas eu já estou indo", disse a dona do aceno, a pessoa certa, antes que ele sequer pudesse cumprimenta-la. "Logo deve chegar um chocolate quente que já deixei pago para você, porque sei que você gosta. E sei que você vai precisar", continuou, falando apressadamente.

Ele franziu o cenho, estranhando sua pressa e modo de falar. Ela inspirou profundamente. “O que tivemos foi maravilhoso e sempre terei muito carinho por você, mas... não podemos continuar... me apaixonei por outra pessoa. Desculpe”. Levantou-se e saiu de supetão. Sem ao menos dar a chance de um adeus.

A verdade incomodava seus olhos, que lacrimejavam enquanto piscava sem parar.

Friday, August 05, 2016

Singular*


Entrei em colapso, atingi a singularidade e agora estou além do horizonte de eventos, presa em uma bolha de distorção temporal onde cada minuto demora uma eternidade para se arrastar e ao final de cada dia sinto-me atropelada por uma semana inteira.

Ao mesmo tempo, fora da bolha, em um piscar de olhos meses se passam sem que eu perceba e tudo parece estar ruindo a uma velocidade estonteante, que não consigo acompanhar. 

Mas é a apenas minha percepção temporal, pois esse nada mais é que o ritmo natural da ruína... digo, da vida.


*singular
adjetivo de dois gêneros ( sXIV)
1. único de sua espécie; distinto; ímpar
2. não vulgar; especial, raro
3. fora do comum; admirável, notável, excepcional
4. não usual; inusitado, estranho, diferente
5. que vale por si só; significativo, característico
6. que causa surpresa; surpreendente, espantoso; extravagante, bizarro
7. lóg que se aplica a um sujeito único
adjetivo de dois gêneros e substantivo masculino
8. gram do ponto de vista semântico, diz-se de ou o número que indica uma só pessoa ou coisa

Monday, May 30, 2016

Eu disse NÃO.

Eu estava no auge dos meus 18 anos. Mas não eram 18 anos comuns, eram os meus 18 anos.

Tive uma adolescência tardia e sempre vivi no mundo dos sonhos. Então aos 18 eu ainda tinha uma certa magia no olhar que me permitia fantasiar sobre pessoas e situações e manter uma dose estúpida de otimismo. Além disso, eu ainda era incrivelmente inocente e acreditava nas pessoas sem questionar.

O auge dos meus 18 anos consistia, portanto, em estar ganhando meus trocados no meu primeiro emprego, ter recém terminado meu primeiro namoro e não estar estudando. Isso me dava uma leve ilusão de liberdade e eu ainda não havia aprendido a lidar muito bem com tudo aquilo.

Foi nesse contexto que conheci o Sombra, em uma feira em que a empresa na qual eu trabalhava participou. Eu estava passeando pelo centro de eventos, distribuindo panfletos e convidando os visitantes a conhecer o nosso stand, quando me deparei com dois rapazes fazendo uma performance teatro-cômico-acrobática.

Estava engraçadinho, então fiquei assistindo de longe. Notei que, por baixo da maquiagem, um dos rapazes era feio de dar dó (e proporcionalmente engraçado), mas o outro era uma graça, super charmoso e - além de tudo - fazia mágica. Quando, em toda a minha inocência, notei que estava tendo meus olhares correspondidos, voltei a ter 15 anos de idade e fiquei tremendamente empolgada.

Passei mais algumas vezes por onde eles estavam se apresentando, descobri que os dois rapazes eram irmãos, conversamos um pouco sobre aleatoriedades a respeito da feira, e no final do último dia de feira (foram quatro) ele anotou meu telefone e se despediu de mim com um singelo selinho.

Em seguida à feira, teve um feriado e viajei para Ilhabela com meu irmão e uns amigos nossos. Qual não foi a minha surpresa quando no dia seguinte meu celular toca. Era o Sombra. Eu jamais imaginaria que aquele artista cheio de mistério e charme se interessaria o suficiente por aquela menina boba e desajeitada. Mas pareceu que sim e eu, claro, fiquei encantada e já comecei a fantasiar como toda adolescente idiota.

Ilhabela imediatamente perdeu a graça e eu ansiava pela volta, para poder encontrar o meu príncipe misterioso. Na época ainda se usava muito telefone para de fato falar, então conversamos bastante antes de nos encontrar e ele concordou em me acompanhar ao aniversário de uma amiga. Eu achava graça em tudo que ele falava e ele parecia ser a pessoa mais interessante do mundo.

A noite foi bem bacana e ele se mostrou muito cortês todo o tempo. Fiquei com vontade de vê-lo novamente e parecia que era recíproco, embora hoje eu perceba que boa parte dessa reciprocidade era apenas minha esperança preenchendo lacunas e achando justificativas para as evasivas dele.

De qualquer forma, depois de quase duas semanas ele finalmente concordou em me receber no bairro dele, que ficava a cerca de 50km da minha casa. Ele sequer se dignou a me encontrar no meio do caminho, mas eu nem me importava com isso: estava indo ver o homem que eu achava que gostava de mim e, afinal, o que era a distância para dois corações apaixonados??

Peguei um ônibus até a estação de trem, o trem até o metrô, o metrô até o ponto mais perto dele e outro ônibus até chegar lá (sem Maps, heim!!). Todo o peso da distância sumiu no instante em que o vi me aguardando no ponto de ônibus, cabelos ao vento e todo de preto, para adicionar à aura de mistério que eu havia criado em torno dele.

Fomos à casa dele (aproveitei para falar oi para o irmão feioso gente boa), ele me apresentou alguns pontos do bairro... Honestamente não lembro muito bem da ordem dos acontecimentos, mas em algum momento ele informou que tinha que buscar alguma coisa na casa de um amigo dele.

Sempre fui muito literal, e na época eu não tinha malícia, então se o rapaz me diz que precisa buscar algo na casa do amigo dele e ainda comenta que vai ser rápido, na minha cabeça nós vamos passar na casa do amigo dele, pegar o que quer que seja e seguir com o nosso encontro.

Ao chegarmos lá, entramos, mas o amigo dele não estava. Hoje eu sei que o amigo havia cedido o espaço para o Sombra poder ficar à sós comigo, mas na minha inocência da época, pensei que era apenas um ato legal de confiança entre amigos (o que não deixa de ser verdade).

Ele fez que mexeu em alguma pilha de uma bagunça qualquer, depois mexeu em outro canto e então sentou na cama e me chamou para perto dele. Fiquei em pé em frente a ele e começamos a nos beijar. Pouco depois me sentei ao lado dele e em seguida já estávamos deitados.

Até aí, terreno conhecido, tudo bem. Ele começou a passar a mão na minha barriga, subir para os meus seios e comecei a ficar um pouco desconfortável. Eu só havia chegado a esse ponto com meu ex-namorado e só tínhamos chegado até lá por termos construído uma intimidade cercada por carinho e amor, sempre na segurança do quarto dele. Em contrapartida, essa era apenas a terceira vez que eu via o Sombra, eu estava na casa de um completo estranho, em um quarto todo zoneado... já não estava me sentindo tão bem naquela situação.

Foi então que ele desabotoou minha calça.

Eu segurei a mão dele e disse não. Ele disse que tinha camisinha. Eu informei que era virgem e que não queria fazer nada naquele momento. A mão dele não se moveu e ele disse que iria "por só a cabecinha". Eu continuei dizendo que não queria. Ele foi para o zíper, dizendo "quero só te sentir". Nessa hora, o desconforto já havia se transformado em um leve pânico. 

Eu disse, mais uma vez, que não e a tragicomicidade da afirmação seguinte dele é sensacional: "Ah, vai... eu não vou fazer nada que você não queira." Meu rapaz... estou há um tempão dizendo que não quero e você continua fazendo!

Até então estava tendo um jogo de forças entre eu segurar a mão dele e tentar afastá-lo e ele se forçar para cima de mim e tentar me despir, mas era pouca coisa acima do sutil. Eu ainda tinha esperança de que nos entenderíamos conversando. Enfim, eu disse não de novo, mas ele passou da sutileza para a agressividade e conseguiu abaixar as minhas calças.

Brotou um medo real. Eu estava com um cara prestes a me violentar, em um lugar totalmente desconhecido para mim, anoitecia e eu não tinha a menor noção de como voltar para casa... até hoje não sei como, mas na mesma fração de segundo em que tudo isso passou pela minha cabeça, eu consegui me desvencilhar dele, sair da cama e levantar as calças, tudo em um movimento só.

"Eu NÃO quero!"

Ele cobriu o rosto com o braço, bufou, ficou alguns angustiantes segundos em silêncio, até que disse: "Tá. Vam'bora." A partir desse momento, ele ficou super frio comigo e seguimos em silêncio até um ponto de ônibus, onde ele apenas informou o nome do ônibus que eu tinha que pegar e foi embora, quase sem se despedir.

As emoções que se aglomeraram comigo ali naquele ponto estranho à noite são quase indescritíveis, e é com muito pesar que afirmo que quase nenhuma delas colocava o Sombra em foco. Eu estava errada por ser oferecida e ter ido até lá. Eu estava errada por ter ficado sozinha com ele. Eu estava errada por ter usado um jeans um pouco mais justo. Pela reação dele, cheguei até a me sentir culpada por não ter cedido e, com isso, ter ferido os sentimentos dele.

Esse episódio me assombra até hoje. Da culpa eu já me livrei. Foi recente, mas finalmente entendi que absolutamente tudo que pensei estava errado. Poderíamos ter ficado ambos nus e ainda assim não tem essa de ficar amenizando pro lado dele e trazendo a culpa para mim: ELE é quem deveria ter respeitado o meu primeiro não. E ponto. Mas ainda hoje os estágios iniciais de envolvimento com alguém são um bocado tensos para mim, por mais que eu já tenha aprendido a contornar esse trauma.

Queria muito dizer que foi o único caso que aconteceu comigo. Ou o mais leve. Infelizmente, eu estaria mentindo. Certamente foi o mais tenso, por toda a atmosfera do desconhecido, mas não foi o primeiro, não foi o último e... não foi o mais traumático. Escolhi esse caso para narrar, pois foi o único em que eu realmente temi pela minha vida.

Tenho certeza que toda mulher do mundo tem pelo menos um caso de abuso para contar. Com quase a mesma certeza afirmo que elas se sentiram culpadas pelo ocorrido ou tiveram a culpa depositada nelas. E isso é absolutamente repugnante e revoltante.

NADA justifica atropelar o não de alguém e invadir seu corpo. NADA.

E a culpa NUNCA é da vítima.

Saturday, January 02, 2016

Escrito em 20/09/2005

(E ainda tão atual... infelizmente. Feliz ano "novo".)


Às vezes eu sofro não sei direito do quê. É algo que me abate de tempos em tempos, me derruba, me deprime, me coloca para pensar na vida, mas eu nunca sei no que pensar e acabo tocando os dias para frente, tudo como sempre.

É uma vontade imensa de fazer e acontecer e ao mesmo tempo uma enorme apatia e indiferença por tudo ao meu redor.

É uma vontade de sair distribuindo carinho, de fazer com que as pessoas sorriam e ao mesmo tempo eu quero ficar reclusa no meu quarto, isolada do mundo.

É uma vontade de me esforçar, trabalhar muito para ganhar bastante dinheiro para fazer isso ou aquilo, e ao mesmo tempo eu quero jogar tudo para o alto e ir para algum lugar onde seja necessário o mínimo para viver, mas onde eu consiga VIVER.

E nesse momento eu empaquei na minha escrita. Será que esse é o problema? Será que eu sinto falta de viver a minha vida?

Meus pensamentos oscilam entre a vontade de mudar o mundo e a apatia completa, mas minhas atitudes ficam num meio termo.

Será que sofro porque levo uma vida mais ou menos? Mas eu sofro de quê? Mas eu sofro por quê?

Sem resposta, eu permaneço sofrendo, indo do tudo ao nada em pensamento e vivendo em cima do muro. Sem saber o que fazer, como agir ou que rumo seguir.

Amanhã passa...

Talvez eu tenha medo de arregaçar as mangas e fazer algo de verdade por mim, pelos outros..

Wednesday, December 23, 2015

Tente se lembrar

É estranho esse negócio de memória... Mais estranho ainda é confiar nela. Ela apaga e inventa coisas a seu bel prazer.

Por mais que você se vanglorie por ter uma memória fantástica e se lembre de alguns detalhes que ninguém mais se recorda sobre as coisas, pode ter certeza de que existem pedaços inteiros da sua vida que você esqueceu.

Trechos de conversas, passeios, sensações, interações... Você viveu, fez e falou coisas que nem se lembra. E tem outras coisas que você acha que aconteceu, mas que não foram exatamente assim que aconteceram. E não precisa nem buscar exemplos na infância! Momentos do ano que passou já se foram, perceba.

Isso provavelmente leva a uma alteração da sua percepção de si, porque faltam informações para compor quem você de fato é.

Por outro lado, aquilo que você esqueceu pode ser parte proeminente da memória de outra pessoa.

E isso é assustador!

Saturday, November 28, 2015

Sorria, meu bem!

De repente, senti falta dos meus sorrisos. Quando dei por mim, não estavam mais lá. Nenhum deles.


Procurei em filmes, livros, passeios... Nem sinal deles.



Procurei em momentos, memórias, pessoas... Sequer um esboço deles.



Ainda falta procurar em um lugar que encontra-se quase inacessível, com uma porta grande e pesada que está trancada e não faço ideia de como abrir...



Falta procurar...



Em mim.

Saturday, October 10, 2015

Fica pra próxima...

"...e aqui temos a varanda."

Encantada, ela observa a vista. Tudo naquele apartamento é perfeito. Bem localizado, arejado, bem iluminado, cômodos bem distribuídos, o preço... Ela até já se visualizava construindo sua vida ali, envelhecendo feliz.

Vira-se sorridente para o corretor de imóveis: "É maravilhoso! Vou comprar!"

O corretor baixa os olhos, coça a barba e depois de alguns momentos em silêncio, dá a notícia: o imóvel já havia sido vendido.

Ela fica atônita encarando o rapaz à sua frente. "Mas... Por que você me trouxe até aqui e fez toda essa propaganda, então?"

Ele dá de ombros, "Achei que você fosse gostar... É bom saber que o lugar dos seus sonhos existe, não é?"

Incrédula, ela passa a mão nos cabelos e expira longamente. "É... Acho que sim... Não sei... Bom, me avise se desistirem da compra. Ou quem sabe resolvem alugar, sei lá..."

"Sim, claro. Tenho todos os seus contatos. Vamos nos falando."

Thursday, October 01, 2015

Dosagem

Há uns anos trabalhei em uma empresa que tinha chocolate quente à vontade. Daqueles de máquina: coloca o copinho, aperta o botão e - voilà! - chocolate quente sempre à mão. Cremosinho, delicioso. Era mágico!

Obviamente, não demorou muito para eu ficar viciada. Tomava um atrás do outro, todos os dias. Às vezes fazia variações, misturando com cappuccino ou colocando uma dose de leite puro, mas invariavelmente voltava à fórmula original: duas doses de chocolate quente. Copo cheio.

Comecei a montar meus dias em torno do chocolate quente: os horários, as refeições, as leituras, as idas ao banheiro... virou parte imprescindível e insubstituível do meu dia. Não importava se estava frio ou calor.

Na faculdade e em casa sentia muita falta. Nada conseguia chegar à altura daquele líquido precioso. A caminho do trabalho, ansiava por chegar e tomar meu primeiro copo. Na saída, o gole de despedida sempre deixava saudade.

Eu via outras pessoas tomando aquele chocolate quente, mas sentia que elas o menosprezavam. Como podiam tratá-lo como "apenas uma bebida qualquer - prefiro café"?? Incabível! Aquilo era tão gostoso! Ficava brava por desperdiçarem o que poderia ser meu.

Depois de um tempo, como acontece com tudo que é feito em exagero, começou a me fazer mal.

Para me preservar, me vi obrigada a parar. Muito a contragosto fui diminuindo a dose, substituindo por água... às vezes tinha uma recaída... foi um processo longo e bem chato. Sofri muito até conseguir eliminar o vício. Mas consegui.

Hoje gosto de chocolate quente tanto quanto gosto de muitas outras bebidas. Eventualmente tomo, só que já não me é essencial para o dia-a-dia.

Mas sempre vou lembrar com carinho daquela época. E nunca vou esquecer seu gosto.

Monday, September 14, 2015

Everytime...


Friday, September 11, 2015

Vomitando sentimentos

(rascunho de 2005 - não lembro para quem era, mas sei para quem usaria agora [com algumas adaptações])


Porque chega uma hora que transborda...

Desde sempre, a lua exerce um poder sobre mim que simplesmente não consigo explicar. O brilho, os pensamentos que ela desperta, como ela se destaca no céu, como me inspira, como me atrai... fico indefesa, fascinada. A noite fica incompleta se ela não der as caras.

Assim como a lua, algumas pessoas exercem um poder sobre mim que simplesmente não consigo explicar. O brilho, os pensamentos que elas despertam, como elas se destacam no meio de tantas pessoas sem graça, como me inspiram, como me atraem... fico indefesa, fascinada. Meu dia-a-dia fica incompleto sem elas. O grande problema é que, assim como a lua, essas pessoas costumam ser intangíveis. Quando elas chegam um pouco mais perto e se deixam aparentar tangíveis, fico ainda mais encantada, porém a distância se mantém, pois elas normalmente estão isoladas por uma redoma de vidro chamada "relacionamento".

Eu já venho de um histórico não muito agradável de desilusões (acho que corações mais frágeis não agüentariam passar por tudo aquilo) e de quando em quando acontece mais um fato para que eu levante ainda mais a minha guarda, me esconda embaixo da minha couraça e afins. Partindo desse princípio, cada vez menos quero/me permito me envolver, me entregar, me expor... enfim, baixar a minha guarda.

Medo, puro medo de pular fora da minha conchinha... direto para o abismo, ali, naquele vão onde a redoma de vidro se encaixa com a base. Tem acontecido tão freqüentemente isso que estou ficando com ainda mais medo. Ou pior: começo a partir para o conformismo. Ou fico em algum lugar entre o conformismo e a confusão, entre o medo e a esperança. Esperança porque essas pessoas-lua têm o dom de me manter presa a elas, mesmo sem elas quererem. A confusão é tamanha que já não sei mais o que espero... ou SE espero. Criar expectativas só faz com que a decepção seja maior. Por isso me engano tentando não esperar mais.

Agora uma pergunta idiota surgiu: por que é mesmo que vomito isso tudo em você? Ah, é! Você é uma pessoa-lua. E eu, uma pessoa que, apesar de manter a guarda alta, quando ela cai, é de uma vez... e cá estou, 100% exposta, lembrando de um meio-sorriso que vi há alguns dias...

Posso, sim, ter confundido as coisas... afinal o meu mundinho fantástico e a realidade são separados por uma membraninha tão tênue que eu tenho receio que rasgue... Mas nesse exato momento é o que eu sinto. Ou o que acho que sinto, pois nem isso sei ao certo mais. E agora aperto o send e sumo do planeta! O.O

Como eu fico vulnerável e besta quando me encontro nesse estado. Droga...

Friday, September 04, 2015

O mundo é um moinho

Ainda é cedo, amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

Preste atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem, amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho
Vai reduzir as ilusões a pó

Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com os teus pés



Friday, August 28, 2015

I'll be there for you!

"Pode contar comigo!"
De verdade? Não. Não posso.

"Como posso ajudar?"
Não pode, porque você não quer de verdade.

Falar por falar, para posar de boa pessoa, solidária e amiguinha, é muito fácil. Mas honrar a palavra de verdade não é tão simples. Dá trabalho. É chato.

Na hora do "pegapacapá" de verdade, geral pula fora.

A verdade dolorida é que sempre estaremos sozinhos quando mais precisarmos.

Nem adianta tentar contra argumentar. É verdade.

Thursday, August 20, 2015

Obliterate

É estranho como retemos informações aleatórias...

O telefone de uma amiga da sexta série... O brinco favorito de uma pessoa... A condição psicológica que a mãe de alguém teve... O nome do cachorro de um amigo de infância... O perfume de alguém... O toque de despertar que aquele cara usava...

Como se livrar disso tudo?

Onde aprende a esquecer?

Friday, August 14, 2015

"É muito menos uma questão de quem vc é ou parece ser(...)"

If I could begin to be,
Half of what you think of me,
I could do about anything,
I could even learn how to love.
When I see the way you act,
Wondering when I'm coming back,
I could do about anything,
I could even learn how to love
 
like you.


Friday, July 24, 2015

Não-post

Este é um não-post.

Tenho rascunhos (na minha cabeça, é claro) para vários posts sobre vários assuntos. Mas está tudo tão bagunçado que não sai nada...

Deixo Baudelaire aqui, só para ter conteúdo mais produtivo que o meu:

É preciso estar sempre embriagado. Aí está: eis a única questão. Para não sentirem o fardo horrível do Tempo que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso. 
Com quê? Com vinho, poesia ou virtude, a escolher. Mas embriaguem-se. 
E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso, na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão: "É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso". Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.

Wednesday, July 08, 2015

Just Good Friends

Todo mundo reclama de ser jogado na tal da friendzone, mas será que é ruim mesmo?

Ok, ok, é claro que tem a frustração de não ter seu interesse romântico correspondido. Por outro lado, a pessoa de seu interesse considera que você tem atributos o suficiente para vocês serem amigos. Olha que honra: a pessoa abre espaço para você fazer parte da vida dela em uma condição mais permanente do que só uma ficada ou duas. Aí você corta relações só porque a pessoa não quer dar uns amassos com você? Tá tão fácil assim fazer amigos?

E tem mais um detalhe: você sofreu uma rejeição sexual. Tudo bem, ninguém gosta de ser rejeitado. Dói. Todos nós sabemos disso. Mas quando você pára de falar com alguém porque essa pessoa quer ser "só" sua amiga, a mensagem que você passa é que essa pessoa era apenas um pedaço de carne que não presta para mais nada.

Qual sofrimento é menos ruim? Por ser incompatível em um nível romântico-sexual ou por ser alvo de fingimento, viver um interesse mentiroso e depois ter sua confiança jogada na sarjeta ao sofrer uma rejeição como ser humano?

Pare de reclamar da friendzone e valorize mais as pessoas.

Thursday, July 02, 2015

Tchau, Zuck! o/

Faz quase uma semana que estou com uma música do Lulu Santos grudada na cabeça. Seria muito fofo, claro, se eu gostasse desse cara e/ou das músicas dele e se ela não tivesse sido colada lá por terceiros. Ok, meu cérebro é um poço de músicas non-sense que pulam de repente na minha frente e não saem mais, de Balão Mágico a Chopin, passando por pérolas do pagode e dance music dos anos 80. Quando ele faz isso eu não tenho muito controle, fato, me conformo e sigo em frente. Só que quando isso acontece por causa de um post de alguém que apareceu na minha timeline, a raiva é OVER 9000!!!

Essa é apenas uma das maravilhas que o facebook faz por você.

Agora todo mundo tem opinião sobre tudo. É impressionante. E todo mundo quer falar a respeito de sua opinião sobre tudo para todos. E discutir com todos. Sobre tudo. Captou a bagunça?

Uns discutem tentando fazer com que o outro entenda um novo ponto de vista, e continuam abertos para conhecer outras opiniões. Alguns discutem tentando fazer com que o outro mude seu ponto de vista e já descartando quaisquer opiniões que divirjam das suas. São tipos de discussões muito diferentes. Uma é produtiva, a outra, bastante destrutiva. Adivinha qual tipo impera por lá? Pois é...

Outro regalo oferecido pelo facebook.

E como todo mundo lá é bonito, inteligente, bem humorado, saudável, feliz e abençoado, não? Mas isso (infelizmente) não impede as pessoas de vomitarem chorume a torto e a direito. Entre falácias, demagogias, sofismas e pura abobrinha, é cada uma que sou obrigada a ler... porque tá lá, né? E não sou analfabeta.

E não basta parar de seguir. Eu posso não querer saber o que você tomou no café da manhã, se você correu por X kilômetros (pôuxa!! parabéns, heim? ¬¬), da sua piadinha interna com a amiguinha ou se você quer muito assistir àquele filme do momento, mas posso querer saber da exposição que você está divulgando, posso gostar daquele texto bacana ou posso me interessar por um vídeo engraçadinho que você postou. Não dá para filtrar tudo.

Eu SEI que o problema não é a ferramenta (não vou entrar no mérito da manipulação facebookiana - isso sim é o problema da ferramenta), mas sim quem usa. Mas como eu não consigo lidar com tudo isso, não consigo corrigir os outros, não conseguiria levar a cabo "geno" ou "homi", e "suic" ainda não é uma opção muito viável, vou de facebookcídio, então.

Quem importa de verdade mantém contato de outras formas.

"Vlw flw" e não sei se volto.


(Desativei minha conta no sábado e quase ninguém notou... aprox. 0,8%... ou seja: grande coisa estar lá ou não 
¯\_(ツ)_/¯ )

Thursday, June 18, 2015

These notes are marked "return to sender"

Tantas coisas importantes para falar para tantas pessoas importantes...

Entre não conseguir concatenar direito os pensamentos, aguardar o momento ideal, esquecimento (as coisas são importantes, mas minha memória não colabora -__-)... os dias passam e se transformam em semanas, meses, anos...

E o que prevalece é a ausência das conversas que eu gostaria de ter, e que - muito provavelmente - nunca conseguirei, pois nesse silêncio as pessoas se afastam.

Como explicar que meu sumiço é uma tentativa de captar o momento certo, amalgamar as palavras exatas, manter imaculada a lembrança dos bons momentos? Quando sumo, ninguém sabe o que se passa na minha cabeça. O que fica é a ausência, o silêncio. E isso magoa. E afasta ainda mais.

Como esclarecer que as pentelhações gratuitas e exageradas são uma forma desesperada e falha de tentar deixar clara a importância da pessoa, que minha vida desmoronaria sem ela (reconstruções são difíceis, não?), que o amor é tanto que bloqueia palavras?

Tenho centenas de rascunhos de cartas, todos eles na minha cabeça. Talvez fosse interessante começar a colocá-los no papel, para depois passarem de rascunhos a cartas reais e, quem sabe, até serem entregues!

Quem sabe...


Monday, June 01, 2015

Aff.

Ai, como pessoa com depressão é chata, né?

Você convida pra um monte de coisa legal e ela fura todos os convites. Só quer saber de ficar deitada o dia inteiro. Ai, que chata.

Você fala um bom dia super animado e conta um monte de coisa bacana e ela mal consegue falar um oi direito. Dá um sorrisinho pelo menos, credo.
Ai, que chata.

Você dá um monte de dica para ela ficar mais felizinha e parece que ela nem se mexe. 'Bora pensar positivo, né, gente? Que má vontade. Ai, que chata.


É... que chatice.

Thursday, May 28, 2015

Muita coisa e coisa nenhuma

Cada piscada opressora do cursor na tela em branco a deixava mais ansiosa. Parecia gritar para que ela escrevesse logo. "Começa! Vai! Anda logo! Escreve!" Fingiu que não era com ela e, com um suspiro, olhou pela janela.

Observava as gotas escorrendo no vidro e, atrás delas, as centenas de janelas dos outros prédios. Podia ver cinco prédios com, no mínimo, dez andares cada. O que será que cada uma dessas pessoas estaria fazendo agora? Comentou consigo que havia gente demais nesse mundo.

Suspirou novamente. O dia estava cinza e lento, contrastando com sua mente inquieta, que pulava de pensamento para pensamento mais rápido do que conseguia acompanhar. Eles vinham e ficavam tempo o suficiente para serem notados, mas logo já se iam e davam lugar a outros, sem se deixarem ser explorados.

Queria pegar cada um deles e contemplar, destrinchar, analisar, resolver. Mas eles eram por demais fugidios. Uns grandes e densos, outros pequeninos, mas não menos importantes. Muitos vinham em bandos. Quase todos, zombeteiros. Aproveitavam-se da sua inabilidade de lidar com eles e iam e voltavam e iam de novo, só para perturbar.

Voltou a olhar para o vazio na tela. Nada. As mãos repousadas sobre o teclado aguardavam seu comando. Nada. Mordeu o lábio inferior e fechou os olhos, inspirando profundamente. Ao expirar, abriu os olhos marejados e digitou 12 caracteres, enquanto uma lágrima imitava em sua bochecha o deslizar das gotas de chuva na janela.

"Não consigo."

Wednesday, May 27, 2015

Auto-conhecimento

Fico impressionada com o tanto de manias que vamos colecionando ao longo da vida. E nem percebemos que as adquirimos.

Pare para pensar nas coisas que faz diariamente e, principalmente, COMO as faz. É tudo automático e, se é automático, é sempre igual.

Todo dia você toma banho. E todo dia é daquele jeito. Pode ter variação de lavar ou não o cabelo, tudo bem, mas é sempre daquela forma. E você nem pensa nisso. Simplesmente faz.

Você se lembra quando começou a dar sinal para ônibus dessa maneira? Você tinha noção de que dava sinal para ônibus assim?

Você pode não almoçar no quilinho todos os dias, mas quando o faz, sempre monta o prato do mesmo jeito.

E esse traquejo com a mão quando você anda? Quando você o adquiriu? Você sabia da existência dele?

Analise-se.

Você sabia que fazia isso? Lembra quando achou que a melhor maneira de fazer isso era assim?  (provavelmente não) E por quê? E se você tentasse fazer diferente?


***Post sem objetivo algum. =P

Tuesday, May 26, 2015

And I......

Houve um tempo em que você não existia na minha vida. E eu não era menos feliz por isso. Sei perfeitamente bem que minha felicidade não depende de você, mas não posso mais negar que gosto muito de você e o quão importante você é para mim. A ponto de já não conseguir imaginar a minha vida sem ter você por perto.

Algumas pessoas têm ciúme de você. Outras ficam irritadas quando você está por perto. Às vezes você atrapalha. Tem épocas em que até eu não quero saber de você. É raro, mas acontece.

Você é minha maior companhia, está comigo nos bons e maus momentos, me ajuda quando preciso. Você vibra a cada notícia que recebo... Ilumina meu caminho... Me orienta quando estou perdida... Com você me divirto e aprendo... Às vezes, até parece que dependo de você muito mais do que deveria.

Ainda assim, não abro mão.

Obrigada por existir, celular! =D

Saturday, May 23, 2015

Riscos de proximidade

Quando se cuida de um animalzinho ferido, você corre o risco de tomar uma mordida ou arranhada.

O animalzinho não sabe o que está lhe machucando. Ele apenas está reagindo à dor.

Não é culpa sua. Não é culpa dele.

Acontece.

Monday, May 18, 2015

Que difícil...

Sentimentos embolados...

Sem conseguir resolver nada...
Sem saber ao certo o que está errado...
Sem conseguir definir um querer...
Sem saber para onde ir ou o que fazer...

Sem conseguir simplesmente ser...

Friday, December 12, 2014

The winner takes it all*

Quem me conhece, sabe que Loser Manos não figura entre as bandas que aprecio. Acho, num geral, chato e irritante e evito sempre que possível.

Mas esse texto não é sobre minha opinião a respeito da banda.

Há uns dias, uma pessoa muito querida e especial disse que sempre lembra de mim ao ouvir uma música do Los Hermanos ("Não sei como você não gosta! Essa música é a sua cara!"). É importante frisar que essa pessoa gosta muito dessa música e sempre se emociona ao ouvi-la. (vai que a lembrança é ruim, né? hahah)

Por considerar muito essa pessoa e suas opiniões, além de confiar em seu bom gosto, resolvi então ouvir essa música. Assim, de verdade, porque eu já a conhecia.

E aí que eu ouvi... e ouvi de novo... e outra vez... mais uma... e outra... e tenho ouvido praticamente em looping há dias.

Não, não comecei a gostar de Los Hermanos. Mas aprendi a gostar dessa música, pois ela foi carregada de um significado além da letra, que por si só é muito boa. (sim, optei por ignorar o vocal que, para mim, ainda é irritante)

Sem mais delongas, vamos a ela:




O Vencedor
Los Hermanos (a.k.a. Loser Manos =P)

Olha lá, quem vem do lado oposto
Vem sem gosto de viver
Olha lá, que os bravos são
Escravos sãos e salvos de sofrer

Olha lá, quem acha que perder
É ser menor na vida
Olha lá, quem sempre quer vitória
E perde a glória de chorar

Eu que já não quero mais ser um vencedor
Levo a vida devagar pra não faltar amor

Olha você e diz que não
Vive a esconder o coração

Não faz isso, amigo
Já se sabe que você
Só procura abrigo
Mas não deixa ninguém ver
Por que será?

Eu que já não sou assim
Muito de ganhar
Junto as mãos ao meu redor
Faço o melhor que sou capaz
Só pra viver em paz

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Num mundo em que tudo é correria, em que todo mundo se debate o tempo todo para aparecer, em que todos têm que ser forte o tempo todo, em que todas as ações se baseiam em se destacar, em ser melhor que os outros, em subir e subir e subir na vida, a letra dessa música é um alento.

Levar a vida devagar [para não faltar amor] e fazer o seu melhor só para viver em paz vão contra tudo isso e mostra uma serenidade com a qual me identifico muito. Quero mais é que se dane. Não preciso ser a melhor em tudo. Deixe que quem queira que se estapeie.

Vou ficar aqui lendo/jogando/ouvindo música (mas não Loser Manos, pelamor). ;P


*Título de uma música do ABBA



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Update (17/06/2015)

Achei um desenho que representa muito bem essa música. =)

(fonte)