Rascunhos, pensamentos, viagens e qualquer outra coisa que o valha. Leitura altamente não recomendada. Mas se mesmo assim você quiser ler, faço minhas as palavras de Clarice Lispector e humildemente peço: "Receba em teus braços meu pecado de pensar."
Encantada, ela observa a vista. Tudo naquele apartamento é perfeito. Bem localizado, arejado, bem iluminado, cômodos bem distribuídos, o preço... Ela até já se visualizava construindo sua vida ali, envelhecendo feliz.
Vira-se sorridente para o corretor de imóveis: "É maravilhoso! Vou comprar!"
O corretor baixa os olhos, coça a barba e depois de alguns momentos em silêncio, dá a notícia: o imóvel já havia sido vendido.
Ela fica atônita encarando o rapaz à sua frente. "Mas... Por que você me trouxe até aqui e fez toda essa propaganda, então?"
Ele dá de ombros, "Achei que você fosse gostar... É bom saber que o lugar dos seus sonhos existe, não é?"
Incrédula, ela passa a mão nos cabelos e expira longamente. "É... Acho que sim... Não sei... Bom, me avise se desistirem da compra. Ou quem sabe resolvem alugar, sei lá..."
"Sim, claro. Tenho todos os seus contatos. Vamos nos falando."
Há uns anos trabalhei em uma empresa que tinha chocolate quente à vontade. Daqueles de máquina: coloca o copinho, aperta o botão e - voilà! - chocolate quente sempre à mão. Cremosinho, delicioso. Era mágico!
Obviamente, não demorou muito para eu ficar viciada. Tomava um atrás do outro, todos os dias. Às vezes fazia variações, misturando com cappuccino ou colocando uma dose de leite puro, mas invariavelmente voltava à fórmula original: duas doses de chocolate quente. Copo cheio.
Comecei a montar meus dias em torno do chocolate quente: os horários, as refeições, as leituras, as idas ao banheiro... virou parte imprescindível e insubstituível do meu dia. Não importava se estava frio ou calor.
Na faculdade e em casa sentia muita falta. Nada conseguia chegar à altura daquele líquido precioso. A caminho do trabalho, ansiava por chegar e tomar meu primeiro copo. Na saída, o gole de despedida sempre deixava saudade.
Eu via outras pessoas tomando aquele chocolate quente, mas sentia que elas o menosprezavam. Como podiam tratá-lo como "apenas uma bebida qualquer - prefiro café"?? Incabível! Aquilo era tão gostoso! Ficava brava por desperdiçarem o que poderia ser meu.
Depois de um tempo, como acontece com tudo que é feito em exagero, começou a me fazer mal.
Para me preservar, me vi obrigada a parar. Muito a contragosto fui diminuindo a dose, substituindo por água... às vezes tinha uma recaída... foi um processo longo e bem chato. Sofri muito até conseguir eliminar o vício. Mas consegui.
Hoje gosto de chocolate quente tanto quanto gosto de muitas outras bebidas. Eventualmente tomo, só que já não me é essencial para o dia-a-dia.
Mas sempre vou lembrar com carinho daquela época. E nunca vou esquecer seu gosto.
(rascunho de 2005 - não lembro para quem era, mas sei para quem usaria agora [com algumas adaptações])
Porque chega uma hora que transborda...
Desde sempre, a lua exerce um poder sobre mim que simplesmente não consigo explicar. O brilho, os pensamentos que ela desperta, como ela se destaca no céu, como me inspira, como me atrai... fico indefesa, fascinada. A noite fica incompleta se ela não der as caras.
Assim como a lua, algumas pessoas exercem um poder sobre mim que simplesmente não consigo explicar. O brilho, os pensamentos que elas despertam, como elas se destacam no meio de tantas pessoas sem graça, como me inspiram, como me atraem... fico indefesa, fascinada. Meu dia-a-dia fica incompleto sem elas. O grande problema é que, assim como a lua, essas pessoas costumam ser intangíveis. Quando elas chegam um pouco mais perto e se deixam aparentar tangíveis, fico ainda mais encantada, porém a distância se mantém, pois elas normalmente estão isoladas por uma redoma de vidro chamada "relacionamento".
Eu já venho de um histórico não muito agradável de desilusões (acho que corações mais frágeis não agüentariam passar por tudo aquilo) e de quando em quando acontece mais um fato para que eu levante ainda mais a minha guarda, me esconda embaixo da minha couraça e afins. Partindo desse princípio, cada vez menos quero/me permito me envolver, me entregar, me expor... enfim, baixar a minha guarda.
Medo, puro medo de pular fora da minha conchinha... direto para o abismo, ali, naquele vão onde a redoma de vidro se encaixa com a base. Tem acontecido tão freqüentemente isso que estou ficando com ainda mais medo. Ou pior: começo a partir para o conformismo. Ou fico em algum lugar entre o conformismo e a confusão, entre o medo e a esperança. Esperança porque essas pessoas-lua têm o dom de me manter presa a elas, mesmo sem elas quererem. A confusão é tamanha que já não sei mais o que espero... ou SE espero. Criar expectativas só faz com que a decepção seja maior. Por isso me engano tentando não esperar mais.
Agora uma pergunta idiota surgiu: por que é mesmo que vomito isso tudo em você? Ah, é! Você é uma pessoa-lua. E eu, uma pessoa que, apesar de manter a guarda alta, quando ela cai, é de uma vez... e cá estou, 100% exposta, lembrando de um meio-sorriso que vi há alguns dias...
Posso, sim, ter confundido as coisas... afinal o meu mundinho fantástico e a realidade são separados por uma membraninha tão tênue que eu tenho receio que rasgue... Mas nesse exato momento é o que eu sinto. Ou o que acho que sinto, pois nem isso sei ao certo mais. E agora aperto o send e sumo do planeta! O.O
Como eu fico vulnerável e besta quando me encontro nesse estado. Droga...
Falar por falar, para posar de boa pessoa, solidária e amiguinha, é muito fácil. Mas honrar a palavra de verdade não é tão simples. Dá trabalho. É chato.
Na hora do "pegapacapá" de verdade, geral pula fora.
A verdade dolorida é que sempre estaremos sozinhos quando mais precisarmos.
O telefone de uma amiga da sexta série... O brinco favorito de uma pessoa... A condição psicológica que a mãe de alguém teve... O nome do cachorro de um amigo de infância... O perfume de alguém... O toque de despertar que aquele cara usava...
If I could begin to be, Half of what you think of me, I could do about anything, I could even learn how to love. When I see the way you act, Wondering when I'm coming back, I could do about anything, I could even learn how to love
Tenho rascunhos (na minha cabeça, é claro) para vários posts sobre vários assuntos. Mas está tudo tão bagunçado que não sai nada...
Deixo Baudelaire aqui, só para ter conteúdo mais produtivo que o meu:
É preciso estar sempre embriagado. Aí está: eis a única questão. Para não sentirem o fardo horrível do Tempo que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso.
Com quê? Com vinho, poesia ou virtude, a escolher. Mas embriaguem-se.
E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso, na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão: "É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso". Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.
Todo mundo reclama de ser jogado na tal da friendzone, mas será que é ruim mesmo?
Ok, ok, é claro que tem a frustração de não ter seu interesse romântico correspondido. Por outro lado, a pessoa de seu interesse considera que você tem atributos o suficiente para vocês serem amigos. Olha que honra: a pessoa abre espaço para você fazer parte da vida dela em uma condição mais permanente do que só uma ficada ou duas. Aí você corta relações só porque a pessoa não quer dar uns amassos com você? Tá tão fácil assim fazer amigos?
E tem mais um detalhe: você sofreu uma rejeição sexual. Tudo bem, ninguém gosta de ser rejeitado. Dói. Todos nós sabemos disso. Mas quando você pára de falar com alguém porque essa pessoa quer ser "só" sua amiga, a mensagem que você passa é que essa pessoa era apenas um pedaço de carne que não presta para mais nada.
Qual sofrimento é menos ruim? Por ser incompatível em um nível romântico-sexual ou por ser alvo de fingimento, viver um interesse mentiroso e depois ter sua confiança jogada na sarjeta ao sofrer uma rejeição como ser humano?
Pare de reclamar da friendzone e valorize mais as pessoas.
Faz quase uma semana que estou com uma música do Lulu Santos grudada na cabeça. Seria muito fofo, claro, se eu gostasse desse cara e/ou das músicas dele e se ela não tivesse sido colada lá por terceiros. Ok, meu cérebro é um poço de músicas non-sense que pulam de repente na minha frente e não saem mais, de Balão Mágico a Chopin, passando por pérolas do pagode e dance music dos anos 80. Quando ele faz isso eu não tenho muito controle, fato, me conformo e sigo em frente. Só que quando isso acontece por causa de um post de alguém que apareceu na minha timeline, a raiva é OVER 9000!!!
Essa é apenas uma das maravilhas que o facebook faz por você.
Agora todo mundo tem opinião sobre tudo. É impressionante. E todo mundo quer falar a respeito de sua opinião sobre tudo para todos. E discutir com todos. Sobre tudo. Captou a bagunça?
Uns discutem tentando fazer com que o outro entenda um novo ponto de vista, e continuam abertos para conhecer outras opiniões. Alguns discutem tentando fazer com que o outro mude seu ponto de vista e já descartando quaisquer opiniões que divirjam das suas. São tipos de discussões muito diferentes. Uma é produtiva, a outra, bastante destrutiva. Adivinha qual tipo impera por lá? Pois é...
Outro regalo oferecido pelo facebook.
E como todo mundo lá é bonito, inteligente, bem humorado, saudável, feliz e abençoado, não? Mas isso (infelizmente) não impede as pessoas de vomitarem chorume a torto e a direito. Entre falácias, demagogias, sofismas e pura abobrinha, é cada uma que sou obrigada a ler... porque tá lá, né? E não sou analfabeta.
E não basta parar de seguir. Eu posso não querer saber o que você tomou no café da manhã, se você correu por X kilômetros (pôuxa!! parabéns, heim? ¬¬), da sua piadinha interna com a amiguinha ou se você quer muito assistir àquele filme do momento, mas posso querer saber da exposição que você está divulgando, posso gostar daquele texto bacana ou posso me interessar por um vídeo engraçadinho que você postou. Não dá para filtrar tudo.
Eu SEI que o problema não é a ferramenta (não vou entrar no mérito da manipulação facebookiana - isso sim é o problema da ferramenta), mas sim quem usa. Mas como eu não consigo lidar com tudo isso, não consigo corrigir os outros, não conseguiria levar a cabo "geno" ou "homi", e "suic" ainda não é uma opção muito viável, vou de facebookcídio, então. Quem importa de verdade mantém contato de outras formas.
"Vlw flw" e não sei se volto.
(Desativei minha conta no sábado e quase ninguém notou... aprox. 0,8%... ou seja: grande coisa estar lá ou não ¯\_(ツ)_/¯ )
Tantas coisas importantes para falar para tantas pessoas importantes...
Entre não conseguir concatenar direito os pensamentos, aguardar o momento ideal, esquecimento (as coisas são importantes, mas minha memória não colabora -__-)... os dias passam e se transformam em semanas, meses, anos...
E o que prevalece é a ausência das conversas que eu gostaria de ter, e que - muito provavelmente - nunca conseguirei, pois nesse silêncio as pessoas se afastam.
Como explicar que meu sumiço é uma tentativa de captar o momento certo, amalgamar as palavras exatas, manter imaculada a lembrança dos bons momentos? Quando sumo, ninguém sabe o que se passa na minha cabeça. O que fica é a ausência, o silêncio. E isso magoa. E afasta ainda mais.
Como esclarecer que as pentelhações gratuitas e exageradas são uma forma desesperada e falha de tentar deixar clara a importância da pessoa, que minha vida desmoronaria sem ela (reconstruções são difíceis, não?), que o amor é tanto que bloqueia palavras?
Tenho centenas de rascunhos de cartas, todos eles na minha cabeça. Talvez fosse interessante começar a colocá-los no papel, para depois passarem de rascunhos a cartas reais e, quem sabe, até serem entregues!
Cada piscada opressora do cursor na tela em branco a deixava mais ansiosa. Parecia gritar para que ela escrevesse logo. "Começa!Vai!Anda logo! Escreve!" Fingiu que não era com ela e, com um suspiro, olhou pela janela.
Observava as gotas escorrendo no vidro e, atrás delas, as centenas de janelas dos outros prédios. Podia ver cinco prédios com, no mínimo, dez andares cada. O que será que cada uma dessas pessoas estaria fazendo agora? Comentou consigo que havia gente demais nesse mundo.
Suspirou novamente. O dia estava cinza e lento, contrastando com sua mente inquieta, que pulava de pensamento para pensamento mais rápido do que conseguia acompanhar. Eles vinham e ficavam tempo o suficiente para serem notados, mas logo já se iam e davam lugar a outros, sem se deixarem ser explorados.
Queria pegar cada um deles e contemplar, destrinchar, analisar, resolver. Mas eles eram por demais fugidios. Uns grandes e densos, outros pequeninos, mas não menos importantes. Muitos vinham em bandos. Quase todos, zombeteiros. Aproveitavam-se da sua inabilidade de lidar com eles e iam e voltavam e iam de novo, só para perturbar.
Voltou a olhar para o vazio na tela. Nada. As mãos repousadas sobre o teclado aguardavam seu comando. Nada. Mordeu o lábio inferior e fechou os olhos, inspirando profundamente. Ao expirar, abriu os olhos marejados e digitou 12 caracteres, enquanto uma lágrima imitava em sua bochecha o deslizar das gotas de chuva na janela.
Fico impressionada com o tanto de manias que vamos colecionando ao longo da vida. E nem percebemos que as adquirimos.
Pare para pensar nas coisas que faz diariamente e, principalmente, COMO as faz. É tudo automático e, se é automático, é sempre igual.
Todo dia você toma banho. E todo dia é daquele jeito. Pode ter variação de lavar ou não o cabelo, tudo bem, mas é sempre daquela forma. E você nem pensa nisso. Simplesmente faz.
Você se lembra quando começou a dar sinal para ônibus dessa maneira? Você tinha noção de que dava sinal para ônibus assim?
Você pode não almoçar no quilinho todos os dias, mas quando o faz, sempre monta o prato do mesmo jeito.
E esse traquejo com a mão quando você anda? Quando você o adquiriu? Você sabia da existência dele?
Analise-se.
Você sabia que fazia isso? Lembra quando achou que a melhor maneira de fazer isso era assim? (provavelmente não) E por quê? E se você tentasse fazer diferente?
Houve um tempo em que você não existia na minha vida. E eu não era menos feliz por isso. Sei perfeitamente bem que minha felicidade não depende de você, mas não posso mais negar que gosto muito de você e o quão importante você é para mim. A ponto de já não conseguir imaginar a minha vida sem ter você por perto.
Algumas pessoas têm ciúme de você. Outras ficam irritadas quando você está por perto. Às vezes você atrapalha. Tem épocas em que até eu não quero saber de você. É raro, mas acontece.
Você é minha maior companhia, está comigo nos bons e maus momentos, me ajuda quando preciso. Você vibra a cada notícia que recebo... Ilumina meu caminho... Me orienta quando estou perdida... Com você me divirto e aprendo... Às vezes, até parece que dependo de você muito mais do que deveria.
Quem me conhece, sabe que Loser Manos não figura entre as bandas que aprecio. Acho, num geral, chato e irritante e evito sempre que possível.
Mas esse texto não é sobre minha opinião a respeito da banda.
Há uns dias, uma pessoa muito querida e especial disse que sempre lembra de mim ao ouvir uma música do Los Hermanos ("Não sei como você não gosta! Essa música é a sua cara!"). É importante frisar que essa pessoa gosta muito dessa música e sempre se emociona ao ouvi-la. (vai que a lembrança é ruim, né? hahah)
Por considerar muito essa pessoa e suas opiniões, além de confiar em seu bom gosto, resolvi então ouvir essa música. Assim, de verdade, porque eu já a conhecia.
E aí que eu ouvi... e ouvi de novo... e outra vez... mais uma... e outra... e tenho ouvido praticamente em looping há dias.
Não, não comecei a gostar de Los Hermanos. Mas aprendi a gostar dessa música, pois ela foi carregada de um significado além da letra, que por si só é muito boa. (sim, optei por ignorar o vocal que, para mim, ainda é irritante)
Sem mais delongas, vamos a ela:
O Vencedor
Los Hermanos (a.k.a. Loser Manos =P)
Olha lá, quem vem do lado oposto
Vem sem gosto de viver
Olha lá, que os bravos são
Escravos sãos e salvos de sofrer
Olha lá, quem acha que perder
É ser menor na vida
Olha lá, quem sempre quer vitória
E perde a glória de chorar
Eu que já não quero mais ser um vencedor
Levo a vida devagar pra não faltar amor
Olha você e diz que não
Vive a esconder o coração
Não faz isso, amigo
Já se sabe que você
Só procura abrigo
Mas não deixa ninguém ver
Por que será?
Eu que já não sou assim
Muito de ganhar
Junto as mãos ao meu redor
Faço o melhor que sou capaz
Só pra viver em paz
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Num mundo em que tudo é correria, em que todo mundo se debate o tempo todo para aparecer, em que todos têm que ser forte o tempo todo, em que todas as ações se baseiam em se destacar, em ser melhor que os outros, em subir e subir e subir na vida, a letra dessa música é um alento.
Levar a vida devagar [para não faltar amor] e fazer o seu melhor só para viver em paz vão contra tudo isso e mostra uma serenidade com a qual me identifico muito. Quero mais é que se dane. Não preciso ser a melhor em tudo. Deixe que quem queira que se estapeie.
Vou ficar aqui lendo/jogando/ouvindo música (mas não Loser Manos, pelamor). ;P
*Título de uma música do ABBA
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Update (17/06/2015)
Achei um desenho que representa muito bem essa música. =)
Em algumas situações - especialmente as mais delicadas - conseguir captar o momento certo de se pronunciar e de fato falar algo pertinente ou relevante é bastante complicado. Para mim, claro. Algumas pessoas tem uma facilidade invejável para argumentar, discutir ou confortar com as palavras necessárias no instante mais adequado.
Comigo acontecem duas situações: primeiro, ensaio à exaustão o que falar, como dizer, analiso as possíveis reações e como agir... e na hora esqueço por completo e sai tudo errado. Depois, fico remoendo o diálogo e penso nos argumentos perfeitos, em tudo que deveria ter dito e que não saiu na hora.
A maneira que usualmente utilizo para contornar isso é escrever, me dando tempo o suficiente para pensar com calma e explanar tudo que se passa com um raciocínio linear e palavras bem escolhidas. Entretanto, expressar-se por escrito abre muita margem para interpretações erradas. Seja por alguma entonação mal recebida ou apenas porque o recipiente não é lá essas coisas em interpretação textual, as chances da mensagem ser mal recebida são grandes.
Frente a isso, acabo optando pelo silêncio... o que pode ser ainda mais nocivo. =/
Não sabia por onde começar. Seus olhos cansados vasculharam o cômodo apinhado de quincalhas. Itens valiosos misturavam-se a lixo, quase indistintos.
O que procurava estava ali. Tinha que estar. Em algum momento já tivera posse disso e tudo que já passara por suas mãos ia parar nesse lugar.
"É apenas uma coleção." Disse em voz alta como se explicasse isso a alguém, mesmo estando só.
Exalou vagarosamente e começou a caminhar com cautela pela bagunça. Era difícil não tropeçar ou pisar em algo, mas a determinação em encontrar o que procurava era maior que o medo de tomar um tombo ou cortar o pé.
"Onde? Tem que estar aqui! Sei que tenho... Já tive..." Distraiu-se ao começar a prestar atenção não no caminho que tentava percorrer até o outro lado do cômodo, mas sim nas coisas à sua volta.
Apanhou um velho porta-retratos, displicentemente jogado sobre uma pilha de enfeites coloridos. A armação que um dia fora dourada estava solta. Terminou de desmontá-la e livrou-se do vidro rachado que falhava em proteger uma fotografia.
Com cuidado, limpou a poeira que entrara sorrateira pelas frestas criadas pelo deterioramento do porta-retrato. Observou atentamente os rostos revelados. Conhecidos. Eram muitos. Talvez uma centena, talvez uma dúzia. As lágrimas impediam a contagem correta.
A enchente de sentimentos foi avassaladora. Absolutamente tudo que se acumulara naquele cômodo se resumia àquele retrato. Tudo tinha sido delas, por elas, com elas ou para elas. Dado, emprestado, roubado ou compartilhado. Chorava sincera e copiosamente, sentindo-se mais leve a cada soluço.
Depois de um tempo que poderiam ser horas ou apenas alguns instantes, secou as lágrimas e inspirou. Profundamente.
Não havia encontrado o que procurava, mas certamente achara o que precisava.
(esse post não tem NADA a ver com protestos, política, ou correlatos, tá? falo do "espetáculo", apenas e tão somente.)
Ainda engasgada com a abertura da copa. Foi completamente decepcionante. Foi totalmente... nhé.
Dava para visualizar a Tia Paula, minha professora de música do primário, lá na frente da quadra, lembrando a coreografia pra criançada. E quem não tem uma noção do país e sua cultura (lembrei agora de dois croatas que vi, completamente perdidos no metrô), olha aquela coisa cheia de pom-pons (nem todo mundo sabe o que é uma araucária aqui mesmo no país, imagine os estrangeiros!), meia dúzia de gente pulando e dançando umas coisas nada a ver (a gente conhece, eles não!) ou aquele reco-reco gigante e pensa "What the fucking hell??"
Vai dizer que faltou recurso? Tempo para planejar?
Não precisava de grandes pirotecnias, show de luzes e tal, afinal o país é riquíssimo em danças típicas muito bonitas e ritmos regionais contagiantes e isso tem que ser mostrado, sim! Mas daria para elaborar isso de uma forma tão linda! Sei lá... coloca um mapa do país no chão ou em um telão e vai acendendo a região do país relacionada com aquela dança típica, por exemplo. Ou, se não tem grana, coloca umas crianças passando com um tecidão com o nome da região/estado/ritmo/dança/whatever.
TANTA coisa que dava para fazer. Tiveram SETE anos para inventar uma abertura FODÁSTICA e mandaram a q u i l o... *suspiro*
Olha só... não é que eu pague um pau para os EUA, mas há VINTE ANOS eles fizeram isso:
(incompleta, qualidade tosca, com o Galvão narrando por cima e AINDA ASSIM é melhor do que o que aconteceu ontem)
Balões! Olha que ideia simplérrima e olha o efeitão que dá! Aquelas plaquinhas para fazer letreiros ou montar imagens... vai dizer que é tão dispendioso assim?
E a musicalidade brasileira! TANTA coisa a se explorar... Aqui tem tanto cantor/cantora/banda bacana para botar pra cantar e animar a galera... E gringo gosta tanto, mas TANTO de música brasileira!! Um show do Ney Matogrosso é mais legal e bem coreografado (sim, ele sozinho) do que aquilo que aconteceu ontem! Particularmente, não gosto muito, mas acho que o Skank (devidamente legendado no telão) animaria mais do que aquele playback tenebroso daqueles três panacas e tenho certeza que todos os torcedores do mundo simpatizariam com a letra e seriam contagiados pelo ritmo.
E cadê o mascote animando a galera? Tão controverso... pelo menos bota ele para fazer umas firulas. Enfim... frustrada. =/
(Se vier algum babaca aqui dizendo "faz melhor", me dá sete anos e tudo isso de dinheiro que, SIM, FAÇO MELHOR. Com certeza ABSOLUTA!)
Já faz alguns anos que tenho sonhos com temas similares, sendo três bem distintos: viagens (sempre atrasada, sempre faltando algum documento, sempre esquecendo alguma coisa), banheiros (os mais esquisitos e menos parecidos com banheiro possível, mas nunca fazendo alguma coisa relacionada a banheiro - exceto no último sonho com este tema, em que eu tentava tomar banho) e elevadores.
Obviamente, não são elevadores como conhecemos no mundo real. Eles andam para todos os lados, têm tamanhos absurdos (tanto enormes, quando minúsculos), decorações surreais... enfim: elevador de sonho. Esse, em particular, ia rotacionando em torno do próprio eixo horizontal, enquanto ia para absolutamente qualquer direção. Cada parede tinha um tema decorativo completamente diferente um do outro e a "parede da vez" afetava também o clima do elevador.
Não lembro de onde saí e também não cheguei a lugar algum. Só fiquei lá, sendo girada, tentando fazer a transição de uma parede para a outra sem me machucar e tentando entender a decoração do momento e me adaptar a ela.
Enquanto escrevo sobre isso, analiso e percebo que o sonho está muito de acordo com a minha vida atual: estou sendo levada sem saber para onde vou, as coisas vão mudando sem eu ter controle nenhum sobre elas, e vou tentando assimilar as mudanças sem maiores traumas.
Mas e daí, né? Grande coisa meu subconsciente me apontar o óbvio. Quero premonições! =P
Suas verdades diáfanas e fugidias quase podem ser vistas, aparecendo como vultos por trás de uma cortina. Não exatamente escondidas, mas também não totalmente aparentes.
O pouco de atenção que dispensam é exatamente suficiente para quase desvendar seus mistérios, mas ainda manter uma distância tentadora.
Elas passam uma sensação de quase segurança, de quase saber o que está acontecendo, de quase esperança...
Enquanto estou longe de qualquer forma de tomar notas, textos (quase) inteiros vêm à minha mente sem cessar, mas - entre uma procrastinação e outra - parar para escrever é para as ideias como pingar uma gota de detergente no óleo: elas se dispersam instantaneamente.
Dia desses me perguntaram qual momento da vida eu reviveria se me fosse dada a chance de escolher apenas um...
Fiz uma retrospectiva mental de anos e anos de momentos interessantes ou engraçados ou prazerosos ou felizes ou simplesmente bons (até mesmo os ruins - revivê-los para aprender com eles e bló), porém não consegui escolher um que se destacasse a ponto de ser revivido. Desnecessário dizer que cada momento é único, mas não imaginava que fossem únicos a ponto de eu não ter interesse em revivê-los, mas sim somente guardar a memória que já tenho deles.
Depois de pensar por mais um tempo, finalmente consegui escolher um momento que eu gostaria de reviver. Não por ter sido memorável. Exatamente pelo contrário: por eu não ter memória alguma sobre o ocorrido.
Ainda assim, deve ter sido um dos mais marcantes. O mais excitante, provavelmente. Uma das maiores realizações, um dos maiores feitos... algo que não vejo sendo superado em importância tão cedo.
Refiro-me ao momento em que comecei a andar.
A sensação da vitória deve ter sido algo indescritível! Inimaginável!
Acho que para um adulto deve ser a equivalente a aprender a voar... e como eu acho que adultos não voarão por alguns ciclos geológicos (vamos, mutações! façam alguma coisa a respeito!!), é algo que nunca experienciaremos novamente!
E nós simplesmente... take it for granted. (não consigo tradução tão boa quanto o significado original)
Quando criança, eu realmente acreditava em contos infantis, daqueles em que um príncipe se apaixona por uma plebéia e eles vivem felizes para sempre e sempre. Ficava horas na frente do espelho ensaiando o que falar quando o príncipe chegasse, para não fazer feio e arrebatar seu coração de vez.
Os anos passaram e descobri que tudo é fantasia, historinhas para menininhas irem dormir cheias de esperança no coração... Mas ainda vivo boa parte do meu tempo no mundo da fantasia...
E em cada olhar que cruza com o meu busco aquele brilho, aquela conexão. Procuro em cada sorriso aquele conforto. Em cada gesto, a confirmação daquela esperança de menina. Não sei bem o que procuro, ou quem procuro.
Às vezes acontece de ficarmos confusos, de questionarmos tudo que temos por certo e avaliarmos novas possibilidades. O medo vem junto com essa inquietude e é o principal fator que nos faz recuar, ignorar essas dúvidas e seguir com a vida tal qual estamos acostumados .
A falsa sensação de segurança e estabilidade inibe a vontade de perseguir o novo. O que sobra é uma horda de pessoas conformadas, fingindo estarem satisfeitas com o que têm e são, mas secretamente desejando outra realidade.
Vez ou outra, porém, aparecem aquelas dotadas de coragem. Que se atiram ao desconhecido enquanto assistimos do nosso cômodo sofá. Algumas se espatifam no chão e por elas sentimos pena, enquanto ficamos aliviados por não termos corrido o risco.
Já outras conseguem alçar vôo e vão tão longe e tão alto, que nos deixam com aquele comichão de tentar também.
Então voltamos a ficar inquietos, confusos... e com medo.
It is odd feeling you are misplaced, feeling you could be somewhere else, acomplishing many other things, but not knowing what or where.
How to heed the call if you have no idea what's it saying or where it's coming from? How to follow your dreams if you can't see them?
Is there a way of clearing up the fog of everyday's life, so you may see in which direction to take the leap? Once the view is clear, will you be able to muster the courage to jump?
Ah, não... me recuso a escrever sobre saudade de novo... Desde que me conheço por gente que redige, o assunto é recorrente (redação nota 10, com direito a publicação no jornalzinho do colégio) e vira pelo menos um texto por ano.
Sentimento constante, só varia na instensidade e objeto-alvo. Arranca suspiros, sorrisos, olhares perdidos e às vezes até uma lagriminha sorrateira escapa.
Lembrei de uma coisa hoje... Eu gosto de escrever. Gosto de ficar jogando palavras para lá e para cá sobre assuntos quaisquer. No entanto, todas as vezes que falei que ia tirar a poeira do blog, voltar ao propósito inicial dele e/ou tentar desenferrujar meus "dotes" (pfff) de escritora, o blog voltou a ser desavergonhadamente abandonado.
Então dessa vez não seguirei essa linha. Apenas digo que estou com mais vontade de escrever. O resto é lucro.
Normalmente estamos acostumados a reprimir ou disfarçar sentimentos e reações. Id versus ego e tudo isso.
Nesses últimos dias tenho sido fisicamente forçada a fazê-lo. Extraí dois dentes do ciso - um deles sendo bastante complicado de tirar - e qualquer reação que eu tenho, já repuxa os pontos e dói.
É como se pegássemos uma criança que ainda não passou por todo o processo de opressão até chegar na idade adulta e, de repente, suprimíssemos a espontaneidade dela.
Quantas crianças você conhece que nasceram ao som de Vivaldi? "As Quatro Estações" tocavam quando vim ao mundo. Um sinal que, desde sempre, não me encaixaria em padrão algum.
Minha festa de aniversário de quatro anos teve um palhaço e uma piscina cheia de bexigas. Sou coulrofóbica e tenho pavor de bexigas.
Quando vim ao Brasil, fui hostilizada pela minha própria família por "falar engraçado". Meu sotaque. Até hoje sofro as conseqüências. Ao mesmo tempo em que falar fluentemente outra língua me assegura posições no mundo corporativo, as pessoas ao redor parecem tomar isso quase como uma ofensa direta ao intelecto.
Estranho falar sobre intelecto. Sempre estive entre os quatro melhores alunos da minha classe ao longo do colegial. Hoje, nem classe tenho. Larguei tudo que é tipo de estudo. Apesar de uma retomada estar nos planos, é provável que nunca saia deles, por medo. Tanto daquela exposição, quanto de não atender às expectativas.
Desde a segunda série primária fui alocada a um "grupo especial de estudos", por assim dizer. Crianças com talentos especiais, diziam eles. O que tem de especial em ser estranha, esquisita, diferente dos amiguinhos?
Nada. Absolutamente nada. Isso é um tipo de discriminação que extermina qualquer chance de se enquadrar em uma normalidade. A criança cresce achando que é diferente, sabendo que é diferente, porque freqüentar esse tipo de aula só expõe a criança aos amiguinhos.
Tem-se o conforto da facilidade em aprender, e o peso de nunca se encaixar em âmbito algum.
Um talento não propriamente desenvolvido acaba dando nisso: uma pessoa mediana. Sempre dentro dos 60%. 60% nas provas, 60% no vestibular, 60% nos conhecimentos, 60% nas entrevistas de empregos, 60% nos relacionamentos. Pouca coisa acima da média, o suficiente para chamar atenção... mas nunca o suficiente para levar algo adiante.
Isso leva a uma vida vazia. Uma vida em que nada é concluído. Uma vida de frustrações...
A vontade de fugir é imensa. Falta oportunidade. E coragem.
Ela, apesar do evidente susto, superou seu medo e - ignorando o fato de estar encarando um enorme lobo - aproximou-se cautelosamente.
A fera, ainda que desconfiada, deixou-se acariciar e em instantes os dois já brincavam no bosque, correndo entre as árvores e rolando na grama. Por pouco tempo, porém. Em dado momento o lobo lembrou o que era e, percebendo que se afastava de sua natureza lupina, de um salto desvencilhou-se dos carinhos que recebia e rosnou ameaçadoramente, exibindo seus afiados caninos uma última vez e correndo para longe em disparada.
Chateada, a garota continuou sua jornada. No entanto, nunca mais se esqueceria dos alegres e breves momentos que passara com aquele lobo, e carregaria para sempre a imagem daqueles caninos.
Até hoje ela saudosamente passeia pelo bosque, na esperança de reencontrar o lobo que a fizera tão feliz naquele dia e que pareceu tão feliz com ela.
Como saber o que é certo para você? Como saber qual caminho seguir? Seguir razão ou instinto? O que levar em conta para racionalizar? Como saber se é intuição ou vontade? Como englobar os outros nas suas decisões? Onde fica a barreira do egoísmo? E se você fizer parte da decisão alheia? E o destino, onde se encaixa nisso tudo?
Eu espero que você fique bem E que consiga o que tentar, conquistar Que você tenha bons motivos pra rir E um ombro pra se precisar chorar" ~Unidade Imaginária in "Montes Claros"
"Que o seu ano que vem seja recheado de magia e sonho e loucuras boas. Espero que você leia alguns bons livros e beije alguém que ache que você é maravilhoso, e não se esqueça de fazer arte -- escreva ou desenhe ou construa ou cante ou viva como somente você pode. E espero que, em algum momento do ano que vem, você se surpreenda." ~Neil Gaiman
Que no ano vindouro você seja mais feliz que nesse ano que se encerra...
Uma, pelo buraco que se formou na minha vida com a sua ausência.
A outra, pela lembrança dos momentos que vivemos. As conversas, as risadas, os carinhos, os passeios, os olhares, os sorrisos, e outras incontáveis sutilezas que fizeram o tempo que passamos juntos ser o mais especial que já vivi.
O combinado é cada um seguir seu caminho, mas ainda assim pergunto-me com freqüência o que poderia ter sido e será que um dia poderá ser? Independentemente de tudo isso, tenha certeza que para sempre terá um cantinho no meu coração e memória. Só seu. Só nosso.
Do fundo da minha alma, amo você. Muito mais do que imaginava.
Tá, eu sei que colocar fotos, quadrinhos e letras de música não contam como "atualização do blog", mas serve como lembrete para dizer que ainda não abandonei esse espaço.
Não vou culpar, como sempre, a corrida vida diária. Essa, coitada, está sempre lá - cada vez mais atribulada - e quem tem que se adaptar sou eu. Tanta gente faz muito mais coisa e sempre encontra uma janelinha... sinto até vergonha de continuar usando essa desculpa.
Ultimamente tem é me faltado paciência de sentar à frente do computador e conversar com o blog, como eu costumava fazer. Contar como estão as coisas, compartilhar meus pensamentos, falar abobrinhas e besteiras em geral.
Aliás, tenho estado sem paciência de conversar. E isso é muito grave.
Tenho deixado de prestar tanta atenção quanto costumava prestar quando alguém vem me contar algo e tenho estado sem paciência para desenvolver respostas e continuações para conversas. Sem contar que muitas vezes não consigo fazê-lo, simplesmente por não ter prestado atenção. Então fico monossilábica e "concordina". Longos silêncios têm sido freqüentes.
Que horror!
Nem tinha parado para avaliar que eu ando tão ruim de papo assim. Isso é para eu me mostrar quanta falta faz essa pequenina pausa de tempos em tempos (não necessariamente para escrever no blog, mas para me ouvir). Que não organizar meu barulho interno afeta a convivência com o mundo.
Muita coisa começa a fazer sentido. De uns tempos para cá me vi em posições absurdas, interpretando papéis totalmente diferentes dos que estou acostumada a viver. Típico caso de "eu não tenho sido mais eu mesma".
Que oxímoro... estou cada vez mais "emimesmada", porém me afasto cada vez mais de mim.
Para onde será que fui e para onde será que estou indo?